Venda Nova foi alvo de uma ocorrência policial em centros de saúde e UPAs a cada quatro dias, de janeiro a maio deste ano, segundo o Sinmed/MG. Foto: Mariana Poblet/PBH.
Venda Nova foi alvo de uma ocorrência policial em centros de saúde e UPAs a cada quatro dias, de janeiro a maio deste ano, segundo o Sinmed/MG. Foto: Mariana Poblet/PBH.
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Por Gabriel Ronan

Nessa quarta-feira (7), o serviço prestado por um médico terminou em ocorrência policial na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) Venda Nova. Um médico foi agredido por um acompanhante após concluir o diagnóstico de uma paciente. O acusado apresentava sinais de ingestão de bebida alcoólica e foi encaminhado a uma delegacia, onde assinou um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), conforme a Polícia Civil.


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O que era para ser circunstancial virou rotina em Belo Horizonte. Só neste ano, entre os meses de janeiro e julho, a Secretaria Municipal de Segurança e Prevenção (SMSP) registrou 297 ocorrências em centros de saúde e UPAs da capital. Uma média de 1,65 ato criminoso por dia.

Conforme dados do Sindicato dos Médicos de Minas Gerais (Sinmed/MG), a regional Venda Nova teve 39 registros de violência entre janeiro e maio deste ano. O dado representa uma média de uma ocorrência a cada quatro dias. A SMSP foi procurada para confirmar os números, mas não respondeu à reportagem até a publicação deste texto.

Entram para a estatística: furtos, danos, ameaças, atrito, verbal, desacato, vias de fato, e perturbação do sossego. “A coisa está ficando tão normal que já está banalizada. Temos discutido o tema com a secretaria, mas não há evolução”, conta o secretário-geral do Sinmed/MG, André Christiano dos Santos.

Segundo ele, as melhorias passam por três ações: o retorno dos porteiros a todas unidades de saúde da capital; a presença mais efetiva da Guarda Municipal de Belo Horizonte (GMBH); e a instalação de câmaras de vigilância integradas à GMBH, semelhantes às do Olho Vivo.

Tecnologia

E a situação pode piorar nos próximos meses. A prefeitura não renovou o contrato com a empresa que prestava serviços de vigilância eletrônica, por meio de alarmes e uma central de atendimento. Por isso, este tipo de proteção só vale até o fim do ano.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (SMSA), já há mobilizações para abertura de uma licitação. Nela, será considerado um “novo modelo mais ampliado e moderno”, que será instalado nos mais de 250 equipamentos da saúde de BH.

Neste sistema, a prefeitura ressalta que os centros de saúde e UPAs terão câmeras, alarme e cercas, além do auxílio da Guarda Municipal. A pasta de Saúde também destaca que, recentemente, “houve fortalecimento do patrulhamento da Guarda Municipal no entorno das unidades de saúde, com rondas periódicas motorizadas durante todo o horário de funcionamento, com atenção especial para o momento da abertura e do fechando de cada uma”.

Histórico

Apesar dos dados preocupantes deste ano, eles ainda são inferiores ao mesmo período do ano passado. No primeiro semestre de 2017, a Guarda Municipal registrou 1,92 ocorrência por dia.

Ainda com a queda, há preocupação com a reincidência dos casos. Desde sábado (3), o Bairro Jaqueline, na Região Norte da cidade, teve duas ocorrências de destaque.

Em uma delas, ocorrida no fim de semana, o centro de saúde 2 do bairro foi arrombado e teve vidraças quebradas. Nesta terça, nova situação envolvendo a polícia: mais um arrombamento e uma televisão roubada, desta vez na primeira unidade do Jaqueline.

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