Queimadas urbanas no entorno de escola no bairro Céu Azul - Foto - William Araújo
Advertisement

O outono pode ser muito aguardado por alguns, mas o tempo seco e frio é sinônimo de transtorno para os pais dos alunos que estudam na Escola Estadual Deputado Manoel Costa no bairro Céu Azul, nos limites de Venda Nova. Com a estação, o hábito das queimadas urbanas aumenta e o colégio é tomado por densas nuvens de fumaça.

A intensidade da prática é tanta, que alguns pais estão compartilhando mensagens nas redes sociais com um pedido de socorro, para que os vizinhos da escola parem de atear fogo no lixo.

Imagens divulgadas pelos pais nas redes sociais1
Imagens divulgadas pelos pais nas redes sociais1

De acordo com Antônio Lopes da Silva Júnior, aposentado e pai de duas alunas, de oito e 11 anos, a criança mais nova tem bronquite aguda e sempre reclama muito ao final do dia de aula. Há duas semanas, passou a noite no hospital com a filha, por causa da quantidade de fumaça respirada.

A criança usa o remédio Salbutamol e, segundo o pai, sempre nessa época do ano, por causa das queimadas vindas de trás da escola, a frequência de aplicação da bombinha aumenta muito”, o que leva o casal a gastar mais com medicamentos.

O colégio é vizinho do acampamento Dandara e os funcionários também sofrem com as queimadas. De acordo com a vice-diretora Fátima F. Alves, uma funcionária precisou tirar quatro dias de licença por problemas respiratórios agravados pela fumaça.

Segundo Fátima, quando o outono chega, as queimadas acontecem todos os dias, no início da manhã e no fim da tarde. “Os alunos do matutino entram na escola com as salas repletas de fumaça”, diz a vice-diretora.

Em uma ocasião, uma funcionária seguiu o foco da fumaça e descobriu que era proveniente da queima de pneus e mato contidos nos contêineres de coleta de lixo do acampamento. Quando pediu ao morador que havia ateado o fogo para que apagasse a chama, foi ameaçada.


Leia também

As queimadas afetam em torno de 540 alunos do Ensino Fundamental, Médio e da Educação de Jovens e Adultos (EJA).  Quando a nuvem de fumaça está densa, professores levam os discentes para a quadra do colégio a fim de que as crises de tosse diminuam.

De acordo com a vice-diretora, a reclamação mais comum dos pais é sobre o agravamento de quadros respiratórios, como rinite, bronquite, asma. Além disso, muitos alunos chegam à direção dizendo sentir falta de ar, tonteira e dor de cabeça por causa da fumaça.

A direção já registrou boletim de ocorrência junto à Polícia Militar, contatou o Corpo de Bombeiros e órgãos ambientais. Agora, aguarda que o problema seja solucionado.

Durante a entrevista, ocorrida no final da tarde desta sexta-feira, a fumaça invadiu as salas da secretaria e fomos obrigados a interromper a conversa. Em uma rápida caminhada no entorno do colégio, pudemos identificar vários lotes em que o mato foi capinado, mas estava acumulado e pegando fogo.

Queimada urbana é crime ambiental

Segundo o código civil, no artigo 61, do Decreto de Lei 6514/2008, causar poluição de qualquer natureza, que possa levar danos à saúde humana ou provocar a mortandade de animais e destruição da biodiversidade, é considerado um crime ambiental.

A infração pode gerar multas com valores entre R$ 5 mil e R$ 50 milhões. Estão enquadradas como infrações atitudes como “queimar resíduos sólidos ou rejeitos a céu aberto ou em recipientes, instalações e equipamentos não licenciados para a atividade”.

Ainda, de acordo com a Política Municipal de Meio Ambiente de Belo Horizonte, caso haja a infração, o autor pode sofrer sanções e receber multas com valores que variam de R$ R$61,39 a R$42.975.

Para denunciar queimadas urbanas, ligue:

  • Secretaria Estadual do Meio Ambiente (31) 3915-1299
  • Corpo de Bombeiros de Minas Gerais 193
  • Polícia Militar de Minas Gerais 190
Curta e compartilhe nas redes sociais
8Shares