Procissão sai da capelinha Sagrado Coração de Jesus em direção a Igreja de Santo Antônio, pela rua Direita, em Venda Nova - Datada do início da década de 1950 por moradores - Fonte: Divulgação/Acervo FMC
Procissão sai da capelinha Sagrado Coração de Jesus em direção a Igreja de Santo Antônio, pela rua Direita, em Venda Nova - Datada do início da década de 1950 por moradores - Fonte: Divulgação/Acervo FMC
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  • Por William Araújo

Venda Nova já foi muito conhecida pelas procissões, e a Semana Santa agitava a comunidade. Aconteciam várias passeatas, desde o Domingo de Ramos até o Domingo da Ressurreição.

Dona Nilza de Oliveira Miranda, moradora da região há 74 anos, diz que na época, décadas de 1940 e 1950, o pároco da igreja Santo Antônio de Venda Nova, padre Pedro Pinto, era famoso por promover os eventos e fazer os sermões sem o auxílio de microfones.

“Fazia tudo no peito”, exclama a senhora.

Entre as procissões mais célebres, havia a do Encontro. Uma tradição entre os cristãos em memória do caminho feito por Jesus Cristo enquanto carregava a cruz até o calvário (Via Crúcis).

Em uma ponta da rua Direita (atual rua Padre Pedro Pinto), existia a capelinha do Sagrado Coração de Jesus; do outro lado, estava a igreja da paróquia de Santo Antônio de Venda Nova, em frente à praça da Matriz.

No livro “Lembranças de Venda Nova”, da autora Ana Maria da Silva, Dona Prosperina – cuidadora da capelinha – conta como todos os dias da Semana Santa eram movimentados pelas peregrinações. A quarta-feira era o dia da Procissão do Encontro.

Os fiéis saíam com a imagem do Senhor Jesus dos Passos da capelinha e iam ao encontro dos afins que traziam a imagem de Nossa Senhora, vinda da igreja.

A reunião acontecia na junção das ruas Cascalheira e rua Direita.

Ali – conta Dona Nilza -, onde as casas eram mais afastadas da via e sobrava um bom passeio, o padre armava uma plataforma e punha-se a esperar.

O pároco tinha endossado a Corporação Musical Santo Antônio (conhecida como banda Santo Antônio), que tomava aulas na sede da igreja. Contudo, mal sabia ele o quanto aqueles rapazes viriam a traquinar.

Quando as procissões estavam quase se encontrando em frente ao palanque, começavam a tocar como nunca, o que irritava o padre Pedro Pinto e o forçava a gritar: “Parai-vos desgraçados”.

Todos caiam na gargalhada e se aquietavam para ouvir o sermão.

Há cerca de 15 anos, a Igreja de Santo Antônio foi demolida para dar lugar a outra prometida pelo governo.

Muito antes disso, a capelinha do Sagrado Coração de Jesus ficava em frente a um roçado e foi demolida, em 1962, pelo prefeito Aminthas de Barros. O mesmo que deu nome à pracinha que a capelinha guardava e hoje é conhecida por estar em frente à Regional Venda Nova da Prefeitura de Belo Horizonte.

As procissões se foram ou ficaram pulverizadas pelos bairros da região, mas a do Encontro nunca foi esquecida pelos fiéis.

Acima, podemos ver a localização em que foi feita a fotografia, na rua Padre Pedro Pinto, sentido bairro, com a praça Aminthas de Barros à esquerda.

 


 

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