Corpo de Bombeiros encontrou, na manhã desta terça, um corpo que seria de um homem de 28 anos, desaparecido desde a enchente de quinta. Foto: reprodução/Corpo de Bombeiros.
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Por Gabriel Ronan

Após o temporal dessa quinta-feira (15) matar três pessoas na Avenida Vilarinho – uma mulher (40), uma criança (5) e uma adolescente (16) – a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) se mobiliza para evitar novos desastres em Venda Nova. Em reunião com o prefeito Alexandre Kalil (PHS) nessa segunda, o secretário municipal de Obras e Infraestrutura Josué Valadão informou que a PBH pretende contratar serviços da Universidade de São Paulo (USP) para emitir alertas mais exatos para a população sobre temporais como o de semana passada.

Atualmente, os avisos são compartilhados pela Subsecretaria de Proteção e Defesa Civil (Supdec) por meio do radar meteorológico da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). O aparelho está sob responsabilidade do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), filiado à Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad).

A tecnologia custou R$ 10,5 milhões aos cofres da Cemig, mas não tem a confiança da prefeitura de BH.

“Nós temos que aperfeiçoar nosso sistema de alerta de inundações. Nós precisamos usar a tecnologia para identificar qual a potência dessa chuva, qual a duração e a localização. Saber como está a direção dos ventos”, explicou Josué Valadão. 

Secretário municipal de Obras e Infraestrutura Josué Valadão anunciou contratação de serviços da USP para emissão de alertas de pluviosidade em BH. Foto: Amira Hissa/PBH.
Secretário municipal de Obras e Infraestrutura Josué Valadão anunciou contratação de serviços da USP para emissão de alertas de pluviosidade mais exatos em BH. Foto: Amira Hissa/PBH.

Para resolver o problema, a PBH pretende contratar, ainda neste ano, serviços do Centro Tecnológico de Hidráulica e Recursos Hídricos da Escola Politécnica da USP (CTH). O sistema é usado, atualmente, pelo governo estadual de São Paulo.

“Eles têm modelos matemáticos e educacionais muito eficientes. Faremos o contato ainda neste ano para que eles possam fazer o estudo e a Defesa Civil possa atuar de maneira mais aprimorada. Não há limites de recurso para isso (contratação da nova tecnologia). É uma prioridade que será seguida. Isso será feito durante o exercício do ano que vem”, ressaltou Valadão. 

Sirenes e sinais luminosos

A tentativa de diminuir os prejuízos e evitar mais mortes na Vilarinho não se reduzem apenas à nova tecnologia meteorológica. De acordo com o coronel Alexandre Lucas, coordenador da Defesa Civil de BH, a prefeitura estuda a instalação de sinais luminosos e sirenes nos pontos de alagamento da principal avenida de Venda Nova.

“Temos que melhorar a comunicação com a população, inclusive com instalação de sirenes na Vilarinho. Ali, próximo à trincheira, queremos uma sirene inclusive com aviso por voz. Isso serve para que as pessoas se conscientizem sobre os perigos”, destaca.

Porém, segundo o coronel, é preciso cautela para que o equipamento não cause mais transtornos aos cidadãos. Isso acontece porque as pessoas podem entrar em pânico com o acionamento dos sinais, o que causaria ainda mais acidentes.

Segundo o coordenador da Defesa Civil da capital, coronel Alexandre Lucas, falta contribuição e respeito da população. Foto: Amira Hissa/PBH.
Segundo o coordenador da Defesa Civil da capital, coronel Alexandre Lucas, falta contribuição e respeito da população. Foto: Amira Hissa/PBH.

Alexandre Lucas também ressaltou a contribuição que a população precisa dar durante os temporais. Segundo ele, a Defesa Civil tem feito bloqueios das vias de acesso à Avenida Vilarinho durante as chuvas fortes, mas eles nem sempre são respeitados.

Além disso, o coordenador do órgão explicou que a Defesa Civil tem executado ações de capacitação com crianças, comerciantes e idosos de Venda Nova, para que eles tenham consciência dos riscos das enchentes.

Ao todo, Belo Horizonte tem 80 pontos de alagamento, concentrados, principalmente, nas bacias do do Onça, Arrudas e Isidoro. Os córregos Vilarinho e Nado, de Venda Nova, estão neste último agrupamento.

E as obras?

Apesar da preocupação da prefeitura e dos investimentos anunciados, todas as medidas supracitadas são paliativas, ou seja, não resolveriam os problemas das enchentes. Conforme depoimento de Josué Valadão, as obras na Vilarinho são intervenções de longo prazo, que podem ultrapassar os R$ 150 milhões.

Uma força-tarefa foi montada para dar manutenção na Avenida Vilarinho após a chuva de quinta-feira. Foto: arquivo/PBH.
Uma força-tarefa foi montada para dar manutenção na Avenida Vilarinho após a chuva de quinta-feira. Foto: arquivo/PBH.

Contudo, o secretário de Obras e Infraestrutura do governo Kalil garantiu que o prefeito quer terminar o mandato, em 2020, com intervenções em estágio avançado na Vilarinho. Segundo Valadão, os estudos serão contratados ainda neste ano, para que as obras saiam do papel o quanto antes.

“No caso do Vilarinho, estamos com uma coleta de dados de tudo que vem acontecendo historicamente na região. Por esse diagnóstico, nós temos que contratar estudos de alternativas. Essas alternativas seriam bacias de contenção, que é um concha, um buraco que se faz. Mas, qual o lugar que faremos isso? Qual o tamanho? Isso precisa ser estudado”, esclarece o chefe da pasta. 

Conferência

Os problemas enfrentados pelos belo-horizontinos com o saneamento básico são o tema da 5ª Conferência Municipal de Saneamento, marcada para o dia 15 de dezembro. O evento será realizado das 8h às 18h, na sede da Prefeitura.

As inscrições são limitadas a 200 vagas e devem ser feitas somente no portal Sympla (clique aqui para acessar). A entrada é franca.

A programação tem como objetivo discutir a situação atual e propor os rumos para o saneamento básico municipal. Os debates poderão contribuir com a elaboração de propostas para as políticas públicas relacionadas ao tema.

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