Vereador Cláudio Duarte é acusado de tomar parte do dinheiro dos seus próprios funcionários. Foto: Abraão Bruck/CMBH.
Vereador Cláudio Duarte é acusado de tomar parte do dinheiro dos seus próprios funcionários. Foto: Abraão Bruck/CMBH.
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Gabriel Ronan

A Polícia Civil saiu às ruas na manhã desta terça-feira (2) para prender temporariamente o vereador Cláudio Duarte (PSL), um dos mais votados em Venda Nova. A corporação também deteve o assessor Luiz Carlos Cordeiro de maneira temporária, além de apreender computadores e documentos do político do mesmo partido do presidente Jair Bolsonaro.


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Duarte é suspeito de se envolver em um esquema de ‘rachadinha’ (leia mais abaixo), no qual o político se apodera de parte do salário dos funcionários do seu próprio gabinete. As informações são do Portal Uai, do qual o Norte Livre é parceiro de conteúdo.

Em setembro de 2018, Duarte já havia sido alvo de processo movido pelo
Ministério Público Eleitoral do estado (MPE/MG). À época, o órgão investigava a migração do vereador do PMN para o PSL durante a janela partidária, que permitia a troca apenas para deputados estaduais e federais.

Na ocasião, Cláudio Duarte disse ao Norte Livre que havia sofrido discriminação político-partidária e isso o levou a trocar de legenda.

A prisão

A operação desta terça cumpriu cinco mandados de busca e apreensão no gabinete de Cláudio Duarte na Câmara, na casa dele e na sede da União dos Moradores pelo Desenvolvimento Social do Bairro Céu Azul (UMCA), associação comunitária fundada pelo suspeito.

Segundo a polícia, Cláudio Duarte é suspeito de desviar cerca de R$ 1 milhão desde o início do seu mandato, em 2017. O vereador responde pelos crimes de peculato (desvio de dinheiro público), formação de organização criminosa, concussão (exigir para si ou para outrem vantagem indevida) e obstrução da Justiça. A pena total, de todos os crimes combinados, pode ultrapassar os 30 anos de reclusão.

De acordo com a polícia, os funcionários sacavam o dinheiro e repassavam parte da quantia ao vereador. Segundo a investigação, um dos contratados chegava a depositar R$ 10 mil para o político.

O vereador foi conduzido ao Departamento Estadual de Investigação de Fraudes, no Bairro Santa Efigênia , Região Leste da cidade, onde vai prestar depoimento. Depois, ele será conduzido ao sistema prisional.

Com isso, Duarte ficará afastado das suas funções como vereador por 60 dias. O mesmo vale para outros quatro funcionários do gabinete dele.

O delegado Domiciano Monteiro Neto, chefe da Divisão de Fraudes e Crimes contra o Patrimônio, está à frente das investigações.

Histórico

Preso nesta terça, Duarte foi candidato a uma cadeira na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) nas últimas eleições. Ele recebeu pouco mais de 20 mil votos, boa parte deles em Venda Nova, mas não conseguiu ser eleito.

Ele está no seu primeiro mandato como vereador, eleito em 2016 com 4.513 votos. Cláudio tem 48 anos e nasceu na cidade de Tiros, na Região do Triângulo Mineiro.

Nesse domingo, o vereador preso havia participado de uma polêmica programação em BH, conhecida como ‘Agenda Comemorativa de 1964′. A iniciativa celebrava os 55 anos do golpe militar, que instalou o regime ditatorial no Brasil.

O Norte Livre procurou a assessoria do vereador e aguarda posicionamento.


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