Cocaína - pixabay
Cocaína - pixabay

Na terça-feira (26), foi recordado o Dia Internacional de Combate às Drogas, escolhido em 1987 pela Organização das Nações Unidas (ONU) como a data para reunir esforços governamentais na batalha contra o uso nocivo de fármacos, substâncias alucinógenas e entorpecentes. Apesar de figurar em parcela dos veículos de comunicação nas editorias de criminalidade, a Regional Venda Nova não é a que apresentou maiores índices com respeito ao uso de drogas, conforme a “Pesquisa Conhecer e Cuidar”, desenvolvida pelo Centro Regional de Referência em Drogas (CRR), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em 2015.

Organizada por Frederico Garcia, Michelle Ralil da Costa, Maila de Castro Neves e Humberto Corrêa, o relatório contou com a ajuda de cerca de 200 profissionais das secretarias da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), do Conselho Municipal de Política sobre Drogas (CMPD), da Comissão de Pesquisas e Projetos do Conselho Municipal de Política sobre Drogas, do CRR, representantes da sociedade civil, do poder público municipal, estadual e federal.


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Com base na entrevista de, aproximadamente, oito mil indivíduos e seus familiares, distribuídos pelas nove Regionais de Belo Horizonte, a pesquisa apresentou indicadores para “compreender com maior profundidade a questão do uso/abuso de drogas e o funcionamento da rede assistência à usuários de drogas e seus familiares no município”.

Entre os indicadores estão:

  • Prevalência do uso de drogas na vida (número de indivíduos que fizeram uso das drogas avaliadas ao menos uma vez na vida)
  • Prevalência de abuso e dependência de drogas
  • Fatores de risco para o uso de drogas
  • Percurso de exposição ao uso de drogas (média de idade em ocorre o primeiro uso e tempo de uso regular)
  • Impacto da dependência química do tabaco
  • Padrão de uso de drogas
  • Indicadores de assistência (dependentes tratados e serviços e tipos de tratamento oferecidos).

Drogas lícitas (álcool e tabaco)

Álcool

Cerveja - Pixabay
Cerveja – Pixabay

No que se refere ao uso de álcool, Belo Horizonte apresentou menor dependência do que a média nacional, contudo 75% da população já experimentou. Segundo o estudo, na cidade, homens bebem mais do que mulheres e gastam em torno de R$300 mensais no consumo de bebidas, três vezes mais do que o sexo feminino. Com respeito à saúde, os afro-brasileiros (a) e afrodescendentes apresentaram maior frequência de dias de uso e consumo problemático. Além disso, ser solteiro (a) é um fator de risco à experimentação.

Entre os entrevistados, a Regional Venda Nova apresentou 70,7% de prevalência de uso de álcool na vida, enquanto as Regionais Centro-sul (82%), Pampulha (81,2%), Leste (78,2%) e Noroeste (71,8%) tiveram índices superiores. Com menor consumo de álcool do que Venda Nova, ficaram as Regionais Norte (70,5%), Barreiro (69,5%), Oeste (62,7%) e Nordeste (61,8%).

Prevalência do uso de álcool na vida segundo sexo biológico e regionais administrativas - Fonte - Pesquisa Conhecer e Cuidar - Belo Horizonte - 2015
Prevalência do uso de álcool na vida segundo sexo biológico e regionais administrativas – Fonte – Pesquisa Conhecer e Cuidar – Belo Horizonte – 2015

Tabaco

Tabagismo - Pixabay
Tabagismo – Pixabay

Com respeito ao tabaco, o estudo demonstrou que 40% das pessoas na cidade já experimentaram e 15,3% são tabagistas (uma em cada três pessoas que experimentam o tabaco se tornam dependentes). Novamente, homens fumam mais do que mulheres e mais da metade dos entrevistados (53,4%) apresentam um grau de severidade de dependência baixo ou muito baixo.

A maioria das pessoas que já fizeram uso do tabaco indicaram a adolescência como a faixa etária de primeiro contato com a droga (78,83%). Grupos afro-brasileiros e afrodescendentes apresentaram maior dependência e o número dobra entre indivíduos solteiros com renda baixa.

Venda Nova é a terceira Regional com menor prevalência (39,5%) do uso de tabaco na vida, precedida por índices menores na Nordeste (35,4%) e Oeste (34,7%’). As maiores taxas estiveram nas Regionais Leste e Norte (ambas com 44,4%), Pampulha (44,2%), Centro-sul (43,6%), Barreiro (40,1%) e Noroeste (39,7%). Além disso, segundo relatório, a Região de Venda Nova foi a que apresentou o maior número de pessoas largando o tabagismo (13% de ex-tabagistas)

Prevalência do uso de tabaco na vida por regional administrativa segundo sexo e total da amostra – Pesquisa Conhecer e Cuidar - Belo Horizonte - 2015
Prevalência do uso de tabaco na vida por regional administrativa segundo sexo e total da amostra – Pesquisa Conhecer e Cuidar – Belo Horizonte – 2015

Drogas ilícitas

De acordo com o relatório, em Belo Horizonte,  a prevalência do uso de drogas ilícitas foi de 15%. As drogas que tiveram maior consumo foram maconha (uma em cada 10 pessoas) e cocaína (uma em cada 20 pessoas). Alucinógenos e inalantes tiveram, respectivamente, consumos três e duas vezes maiores do que a média nacional. O crack também ficou acima (1,4%). Além disso, 50% das pessoas que já experimentaram drogas, fizeram uso de mais de um tipo.

Quando o assunto é a preponderância do uso de drogas ilícitas na vida, Venda Nova apresentou o menor índice (10,8%), quase 100% inferior ao maior, que foi encontrado na Regional Centro-sul (21,7%). Entre as mulheres, a região é, também, a que tem menos prevalência (4,8%). Em resumo, são menos vendanovenses a experimentarem e ficarem expostos ao uso de drogas ilícitas na vida do que no restante da cidade.

Prevalência de uso de drogas ilícitas na vida e regulamentadas segundo a regional - Fonte - Pesquisa Conhecer e Cuidar - Belo Horizonte - 2015
Prevalência de uso de drogas ilícitas na vida e regulamentadas segundo a regional – Fonte – Pesquisa Conhecer e Cuidar – Belo Horizonte – 2015

De acordo com o II Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), as drogas ilícitas que menos estão expostas à experimentação são o crack e os estimulantes. Veja abaixo o quadro de drogas ilícitas com suscetibilidade ao primeiro uso na cidade em comparação com o Brasil.

Dados de prevalência do uso de drogas ilícitas na vida - Belo Horizonte e do Brasil - II Lenad - Pesquisa Conhecer e Cuidar - 2016
Dados de prevalência do uso de drogas ilícitas na vida – Belo Horizonte e do Brasil – II Lenad – Pesquisa Conhecer e Cuidar – 2016

Já com respeito à quantidade de dependentes na capital, indivíduos que fazem uso nocivo, Venda Nova não é a menor taxa, mas a quarta na lista (2%), ficando acima da Pampulha (1,9%), Nordeste (1,5%) e Oeste (1,4%) e abaixo da Centro-sul (2,6%), Noroeste (2,9%) e Norte e Leste (ambas com 3,9%).

1Maconha

Prevalência do uso de maconha na vida segundo a regional e o sexo – Fonte – Pesquisa Conhecer e Cuidar – Belo Horizonte – 2015

Venda Nova apresentou a menor prevalência do uso de maconha na vida (8,4%). Segundo o relatório, a Regional Centro-sul foi a que mais registrou casos de exposição e experimentação da droga, com 19,5%. Homens solteiros, novamente, fizeram mais uso da droga do que as mulheres e nos grupos separados por cor da pele, brancos tiveram maior contato com a droga.

Em Venda Nova, o primeiro episódio com a droga ocorre, segundo relatório, na adolescência, por volta dos 17 anos. “O tempo médio de uso regular de maconha foi de 4,27 a cerca de 6,8 anos”.

Com respeito à renda, quanto maior, mais exposição e experimentação da substância; quanto menor, maior dependência química. Apesar do estudo demonstrar maior uso de maconha entre indivíduos brancos, mais afrodescendentes e afro-brasileiros apresentaram dependência à substância.

2Cocaína

Prevalência do uso de cocaína na vida segundo a regional e o sexo – Fonte – Pesquisa Conhecer e Cuidar – Belo Horizonte – 2015

Entre as pessoas que já experimentaram a droga, 25,3% continuaram a fazer o uso e 17,2% foram considerados dependentes de cocaína. Dos homens entrevistados, 10,6% disseram terem usado a substância em algum momento, enquanto apenas 2,5% das mulheres usaram. Venda Nova ocupa o terceiro lugar como a Regional com maior quantidade de experimentação (6,4%).

Indivíduos afrodescendentes e afro-brasileiros apresentaram maior uso da substância (4,6%). Homens solteiros usam mais e a renda apresentou dados pouco influentes na prevalência. O primeiro contato com a droga ocorre por volta dos 19,7 anos de idade e o tempo regular de uso tramita entre 3,11 anos de duração.

3Crack

Prevalência do uso de crack na vida de acordo com regional administrativa – Fonte – Pesquisa conhecer e cuidar – Belo Horizonte – 2015

Em relação ao uso, o crack foi a droga que mais apresentou dependência e transtornos mentais derivados. Cerca de 1,4% dos entrevistados disseram que já experimentaram a droga, mais homens (2,7%) do que mulheres (0,4%). A Regional Leste apresentou maior prevalência do uso da droga durante a vida (2,4%), enquanto Venda Nova foi a terceira com menor incidência (1,3% dos entrevistados).

No estudo, mais indivíduos afrodescendentes e afro-brasileiros disseram ter feito o uso da droga na vida (1,8%), enquanto brancos foram 0,7% dos entrevistados. A idade média registrada para o primeiro contato com a droga foi de 23,8 anos e homens solteiros de baixa renda demonstraram maior prevalência.

4Redes de tratamento

Localização das instituições que prestam assistência às pessoas que fazem uso/abuso de drogas na regional Venda Nova – Fonte – Pesquisa Conhecer e Cuidar – Belo Horizonte – 2015

Em Belo Horizonte, o estudo identificou 426 instituições que oferecem serviços para assistência às pessoas que fazem uso ou abuso de drogas. Destas, 45% são privadas (42% com fins lucrativos e 3% sem fins lucrativos) e 55% públicas – 51,4% com financiamento público municipal, 3% estadual e 0,5% federal. Das Regionais, a Centro-sul é a que possui mais instituições (21% – 89 instituições) e Venda Nova ocupa o terceiro lugar (10,54% – 45 instituições).

Veja o mapa com a localização das instituições em Venda Nova.

Fontes de pesquisa


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