Córrego Vilarinho, o principal problema de Venda Nova. Foto: William Araújo/Jornal Norte Livre.
Córrego Vilarinho, o principal problema de Venda Nova. Foto: William Araújo/Jornal Norte Livre.
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A Câmara de BH aprovou, nessa terça-feira (10), o Projeto de Lei 752/2019, que pretende permitir a Prefeitura de Belo Horizonte pegar 85 milhões de dólares (R$ 344,8 milhões na cotação atual) emprestados junto ao Banco de Desenvolvimento da América Latina. O empréstimo, segundo o projeto, será investido em Venda Nova, nas obras dos córregos Vilarinho, Nado e Isidoro. A proposta ainda precisa passar em 2º turno.

O texto passou com 34 votos favoráveis e quatro contrários. Eram necessários 28 votos para que o projeto passasse. Os vereadores Gilson Reis (PCdoB), Mateus Simões (Novo), Gabriel (PHS) e Fernando Borja (Avante) votaram contra.

Quem se posicionou contra a proposta da prefeitura defendeu que o Executivo municipal não apresentou o projeto à Casa. O vereador Gilson Reis também ressaltou que a obra de macrodrenagem da Vilarinho só transferiria o problema das enchentes para a Região Norte da cidade.


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Isso porque, segundo o projeto da prefeitura, serão construídos dois túneis no Córrego Vilarinho (leia mais abaixo). Essas estruturas vão levar as águas do manancial até o Córrego Floresta, no Norte da cidade.

O ponto defendido por Gilson Reis também foi destacado pelo Comitê da Bacia Hidrográfica Rio das Velhas (CBH Rio das Velhas). De acordo com Marcus Polignano, presidente do CBH Rio das Velhas, a solução pontual empurrará os problemas do Córrego Vilarinho para os bairros seguintes à vazão, como Xodó Marize, Felicidade e Juliana.

Outros vereadores, como Bella Gonçalves (Psol), Pedro Patrus (PT) e Pedro Bueno (Pode), criticaram a possibilidade de dar um “cheque em branco” à prefeitura. Apesar de condenarem a falta de diálogo do Executivo para pedir o empréstimo, todos os três parlamentares votaram a favor do projeto.

Empréstimo na prática

Dois túneis subterrâneos e uma estrutura hidráulica de confluência (espécie de piscinão) são as apostas da Prefeitura de Belo Horizonte para acabar com as enchentes na Vilarinho.

De acordo com o projeto elaborado pela Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap), o primeiro túnel pretende desviar o córrego Vilarinho e terá 806 metros de extensão, seguindo o traçado da Rua Geraldo Alexandre Ferreira. Assim, as águas carregadas por ele vão desembocar no Córrego Floresta.


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O segundo túnel, conforme o projeto, terá 730 metros de extensão e ficará na confluência entre os córregos Vilarinho e Nado – próxima à rotatória da Estação Vilarinho. Essa estrutura vai começar na confluência entre a Avenida Vilarinho e a Rua Maçon Ribeiro e também terminará no Floresta.

Os dois túneis terão cinco metros de altura e largura. O primeiro duto vai transportar 160 m³ de água por segundo, enquanto o outro levará 145 m³/s.

Além dos túneis, o projeto da prefeitura inclui a canalização do córrego Floresta. Com isso, um viaduto será erguido na Rua Joaquim Clemente, no Bairro Juliana, Região Norte da cidade.

As obras estão orçadas em R$ 300 milhões, ou seja, a maior parte do empréstimo conseguido pela prefeitura junto ao banco internacional.

Regime diferenciado

Para acelerar as obras na Vilarinho, o prefeito Alexandre Kalil (PSD) voltou a ressaltar, nesta terça (11), que a prefeitura vai adotar o Regime Diferenciado de Contratações Públicas (RDC). Em entrevista à TV Record Minas, Kalil disse que esse modelo de licitação é o ideal para que a população veja os efeitos das intervenções o quanto antes.

“Estamos com um plano para esperar a chuva de uma forma muito diferente do que aconteceu na Vilarinho em outros anos”, garantiu o prefeito. “Nós vamos começar a sondagem neste mês e vamos fazer a RDC (Regime Diferenciado de Contratações Públicas) que é uma modalidade de licitação para começar o mais rápido possível”, completou Kalil. 

Atraso

Quando apresentou o projeto em dezembro do ano passado, cerca de um mês depois que pessoas morreram na Vilarinho em uma enchente ocorrida em 15 de novembro, a prefeitura informou que as obras na principal avenida de Venda Nova começariam no segundo semestre de 2019. Contudo, o prefeito deu outro prazo nesta terça.

“Este início de obra para este ano é muito difícil, mas nós vamos mitigar um pouquinho o problema”, informou Alexandre Kalil.

Em visita a Venda Nova realizada no mês passado, o superintendente de Desenvolvimento da Capital, Henrique Castilho, disse que as intervenções contra enchentes na Vilarinho seriam licitadas ainda neste ano. Contudo, o tema não foi ressaltado por Kalil na entrevista à Record.

“Projetos estão prontos e agora estamos entrando na fase de documentação e de licenciamento ambiental”, disse o técnico. “Não é problema de dinheiro. A questão é realmente técnica porque é uma área muito específica, muito grande, na qual a gente trata a Bacia do Isidoro como um todo”, completou.

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