Foto: Andrea Moreira/PBH
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O fim do inverno e o calor anunciam a vinda da primavera. Além das flores, o período chuvoso chegará à capital e, possivelmente, com ele, as notificações de dengue. Antevendo a situação, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), por meio de parceria entre Secretaria Municipal de Saúde (SMSA) e pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), fará nas próximas semanas a soltura de cerca de 2 milhões de mosquitos Aedes aegypti infectados pela bactéria Wolbachia pipientis nos bairros Copacabana, Jardim Leblon e Piratininga, em Venda Nova.

O projeto World Mosquito Program (WMP) é conduzido no Brasil pela Fiocruz, com apoio do Ministério da Saúde, e descobriu que a bactéria, apesar de comum em cerca de 60% dos insetos, não é natural no mosquito transmissor da dengue, Chikungunya, Zika e febre amarela. Por isso, quando presente no organismo do vetor, impede que ele transmita os vírus das doenças, mesmo que ele as abrigue.


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Em reuniões recentes, o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH) decidiu oferecer o aporte de US$ 20 milhões (cerca de R$ 80 milhões, na cotação atual) às novas pesquisas da Fiocruz, que, agora, começará a fazer a soltura dos insetos na natureza para que eles contaminem os parceiros, se reproduzam com a bactéria e diminuam as ocorrências das doenças.

Conforme a Secretaria Municipal de Saúde, mosquitos que carregam essa bactéria têm a capacidade reduzida de transmitir os vírus para as pessoas, diminuindo o risco de surtos de dengue, zika, chikungunya e febre amarela.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, serão soltos 2 milhões de mosquitos por semana, num intervalo entre 16 e 20 semanas. Após esse tempo, as partes envolvidas farão análise do quadro e avaliarão a possibilidade de mais liberações. Após obter os primeiros resultados, será criado um cronograma para o restante da cidade.

Ainda segundo a pasta, a escolha por Venda Nova passa pela “análise das séries históricas de infestação por Aedes aegypti e incidência de doenças causadas pelo mosquito”.

Quanto a bactéria, o órgão do Executivo municipal informou que a Wolbachia é um microrganismo intracelular e não pode ser transmitida para humanos ou animais. Também ressaltou que o método é natural, não coloca os ecossistemas naturais em risco e é autossustentável. Nem os mosquitos nem a Wolbachia sofreram qualquer modificação genética.

Novamente conforme a Secretaria Municipal de Saúde, outros países que adotaram a estratégia registram a bactéria nos mosquitos mesmo depois de cinco anos das liberações. Isso faz com que o micro-organismo seja autossustentável.

EM TEMPO: A equipe de reportagem fez contato com a assessoria de imprensa da Fiocruz, porém ainda não obteve atualizações sobre o assunto. Assim que recebidas, a matéria será atualizada.

Investimento

A Prefeitura de Belo Horizonte destinou local onde funcionava o Centro de São Francisco para construção da biofábrica e, até o momento, segundo a Saúde, foram investidos R$ 160 mil nas obras do insetário (alvenaria, piso e pintura interna).

Está previsto, ainda, um investimento na ordem de R$ 50 mil para conclusão das instalações elétricas. Para o projeto de climatização, o investimento é de cerca de R$ 300 mil, além de toda a retaguarda da equipe técnica da Saúde municipal.

Histórico

Segundo último Levantamento de Índice Rápido do Aedes Aegypti (LirAa) feito pela PBH, até o dia oito de fevereiro deste ano, foram confirmados 99 casos de dengue em Belo Horizonte. Existem ainda 987 casos notificados pendentes de resultados e foram investigados e descartados 197 casos.

No ano passado, foram confirmados 494 casos de dengue em Belo Horizonte, ainda há 408 casos notificados pendentes de resultados e foram investigados e descartados 6.060 casos. Para Chikungunya, em 2019, houve 13 casos notificados em residentes da capital, um autóctone (contraído no município) foi confirmado. Sobre o Zika, neste ano, ocorreram seis casos notificados, três descartados.

O World Mosquito Program

O WMP é uma iniciativa global sem fins lucrativos que age, atualmente, em 12 países para reduzir a transmissão de doenças por meio de mosquitos. Desenvolvida por pesquisadores australianos da Universidade de Monash, consiste na propagação e incentivo de métodos naturais, seguros e autossustentáveis para diminuir a proliferação de enfermidades.

Entre os procedimentos adotados pelo WMP está a inserção na natureza de mosquitos nativos de biofábricas e com a bactéria Wolbachia pipientis, a qual inibe a infecção de outros seres pela dengue, Zika, Chikungunya e febre amarela.

A partir do cruzamento entre um mosquito fêmea da biofábrica com outro macho selvagem, obtém-se uma prole de mosquitos infectados pela bactéria Wolbachia. Além disso, caso o mosquito vindo da biofábrica seja o macho, os ovos da fêmea selvagem não geram larvas, o que também inibe a proliferação de doenças. Para saber mais, veja o vídeo abaixo:


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Jornalista graduado pelo Centro Universitário de Belo Horizonte — UniBH (2017), jornalista editor no Jornal Norte Livre com passagem pelo Jornal Daqui BH, ambos parceiros hiperlocais do Portal Uai/Diários Associados. Professor e sócio na empresa "Quando - Fábrica de narrativas", conteudista, SEO (Search Engine Optimization), videomaker, fotógrafo e entusiasta como ilustrador, desenvolvedor web e animador 2D. "Os livros são o templo do jornalista, mas é nas ruas que ele congrega". Will Araújo