Divulgação Corpo de Bombeiros - Estação Vilarinho 2018
Divulgação Corpo de Bombeiros - Estação Vilarinho 2018
Advertisement

Por William Araújo

A noite desta quinta-feira (15), feriado da Proclamação da República, foi de temor e preocupação para os motoristas que passavam pela Avenida Vilarinho, em Venda Nova. A chuva torrencial ocorrida entre 19h20 e 20h20 alagou alguns locais da via, entre o Habibs (nº. 945) e Estação Vilarinho (nº. 36), e arrastou automóveis.

A água chegou à altura das plataformas de embarque da Estação, entrou em veículos e ocasionou a morte por afogamento de uma condutora e uma criança. Segundo a Defesa Civil, foram 83,4mm (34,7% do esperado para o mês em apenas uma hora) de chuva na região do Córrego Vilarinho.

Duas outras pessoas foram levadas pela correnteza, um homem e uma jovem. A garota estava no carro do namorado quando o veículo parou. Temendo a correnteza, Anna Luisa, de 16 anos, saiu pela porta do passageiro e foi sugada pela galeria. O corpo foi encontrado nesta tarde próximo ao Bairro Xodó Marize, segundo o Corpo de Bombeiros.

Fonte: Divulgação Corpo de Bombeiros
Fonte: Divulgação Corpo de Bombeiros

Leia também

Nesta sexta-feira, durante o período da manhã, o prefeito Alexandre Kalil compareceu ao local para ter conhecimento das proporções da inundação e fez mea-culpa” pelas mortes. Todavia, os riscos de inundações já são sabidos desde 2013 pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) e foram divulgados em abril deste ano pelo Plano Municipal de Gestão do Risco de Inundações.

Segundo diagnóstico da PBH, nas questões a serem enfrentadas estão os riscos de inundações causadas pelo acúmulo de resíduos sólidos em galerias construídas para passagem da água, pela erosão provocada pela ausência da mata ciliar, pela ocupação irregular das margens dos córregos e pelo despejo clandestino de esgoto nos leitos dos cursos d’água. O relatório também apregoou a necessidade de construção de mais uma bacia de detenção em Venda Nova.

De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), por meio da Seção de Análise e Previsão do Tempo ( Sepre), do quinto distrito de meteorologia de Minas Gerais, presente em Belo Horizonte, o período chuvoso de toda Região Sudeste ocorre entre os meses de outubro e março do ano seguinte, com intensificação durante a primeira quinzena de setembro e entre os meses de novembro e janeiro – considerado o trimestre com maiores índices pluviais.

Por isso, a PBH investiu de setembro de 2017 a agosto deste ano, aproximadamente, R$5 milhões para evitar o transbordamento dos córregos. Em Venda Nova, as três bacias de detenção (áreas de acumulação da água para o controle das inundações) existentes foram desassoreadas, alguns leitos de córregos foram limpos e houve a manutenção das margens com capina e poda por meio da Superintendência de Limpeza Urbana (SLU). Entretanto, como o episódio da quinta-feira demonstrou, nada disso foi o suficiente para evitar as inundações e mortes.

O que eleva o potencial de inundações na Avenida Vilarinho?

A Regional Venda Nova está inserida na Bacia do Ribeirão Isidoro, que é contribuidora do Ribeirão do Onça e, por conseguinte, do Rio das Velhas. Na Região, existem quatro sub-bacias que colaboram com a Isidoro: Vilarinho, Floresta, Olhos D’Água e Nado.

Sub-bacias da Regional Venda Nova - Fonte: Carta de Inundações de Belo Horizonte
Sub-bacias da Regional Venda Nova – Fonte: Carta de Inundações de Belo Horizonte

Entre os braços de alimentação da Bacia do Ribeirão Isidoro reconhecidos pela PBH estão os córregos Vilarinho, Nado, Estrada da Pedreira, Estrada do Sanatório, Sumidouro, Floresta, Embira, Caixeta, Fazenda Velha, Terra Vermelha e dos Macacos.

Em Venda Nova, a maioria da sub-bacias estão ligadas à do Córrego Vilarinho, que faz o transporte das águas da Bacia do Ribeirão Isidoro. De acordo com a Secretaria Municipal de Políticas Urbanas (SMURBE) e Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) na Carta de Inundações de Belo Horizonte, criada pelos Núcleos de Execução de Projetos Especiais de Saneamento e do Plano Diretor de Drenagem (Nepe – SAN e Nepe – PDD), estes são os riscos de cheias:

Link direto para Carta de Inundações de Belo Horizonte.

Abaixo, um mapa resumido, baseado na Carta de Inundações e com os principais córregos colaboradores do Vilarinho. Foram mapeados pela PBH 17 cursos d’água, para os quais existem apenas três bacias de detenção. Quando as chuvas chegam à região, alguns sobressaem aos demais por receberem o fluxo de outros córregos.

A exemplo, os córregos Marimbondo (Bairro Santa Mônica) e Lareira (Bairro São João Batista) despejam águas no Córrego Borges (conhecido como Córrego da Avenida 12 de Outubro/ Dr. Álvaro Camargos e pertencente à sub-bacia do Nado), que por sua vez soma águas ao Córrego Vilarinho.

Segundo análise da Carta de Inundações, em 2013, caso a chuva atingisse entre 50mm e 70mm de altura, seriam necessários entre 50 e 70 minutos para que existisse um quadro de alerta de inundações ou emergência.

Um dos locais com risco de inundações indicado pela Carta é, justamente, no encontro da Avenida Vilarinho com Avenida Dr. Álvaro Camargo (antiga Avenida 12 de Outubro). Ali, o Córrego Borges, reforçado pelas águas do Lareira e Marimbondo, encontra também o Córrego Vilarinho.

Esse é um dos problemas apontado pelo diagnóstico da Política de Gestão do Risco de Inundações em Belo Horizonte, que relata sobre a necessidade da construção de uma bacia de detenção e do tratamento de fundo de vale dos córregos Lareira e Marimbondo.

As obras foram aprovadas por meio do Programa de Aceleração do Crescimento 2 (Pac2), com o orçamento de R$52 milhões à época. Estavam paradas desde 2014, mas agora, a partir de setembro, tiveram novo andamento, em que a empresa Engibrás venceu a licitação, tem a estimativa de R$44 milhões para conclusão dos serviços e está em etapa de assinatura do contrato.

Curta e compartilhe nas redes sociais
39Shares
Jornalista graduado pelo Centro Universitário de Belo Horizonte - UniBH, Bolsista PCCT na Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig)/Minas Faz Ciência, ilustrador, cartunista, videomaker, desenvolvedor web, jornalista editor no Jornal Norte Livre - parceiro hiperlocal do Portal Uai - com passagem pelo Jornal Daqui BH, conteudista, SEO (Search Engine Optimization), fotógrafo, animador 2D.