Córrego Marimbondo e poluição. Foto: Gabriel Ronan/Norte Livre.
Córrego Marimbondo e poluição. Foto: Gabriel Ronan/Norte Livre.
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A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) gastará ainda mais recursos para executar as obras de tratamento de fundo de vale e construção de bacia de contenção no Córrego do Nado. As intervenções, iniciadas em maio, são aguardas pela população de Venda Nova. O projeto prevê melhorias nas sub-bacias Marimbondo e Lareira.

Quando aprovou a licitação, a Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) planejou gastar cerca de R$ 33 milhões no Nado. Os recursos viriam do Programa de Aceleração do Crescimento, segunda etapa (PAC-2).

Agora, no entanto, o Executivo municipal reajustou o valor. Em extrato publicado no Diário Oficial do Município nesta quarta-feira (3), a PBH oficializou um incremento de R$ 6.312.729,91 nas obras.

Segundo a publicação, a intervenção ficará mais cara por conta de “readequações das planilhas contratuais”. De acordo com a Sudecap, essas mudanças dizem respeito às alterações sofridas pelos córregos Lareira e Marimbondo desde 2011, quando o projeto foi elaborado.

“Foi necessário ampliar o escopo do projeto original com o aumento do trecho das margens que irão receber proteção em gabião e com a expansão da rede interceptora de esgoto e da rede de drenagem pluvial”, disse a prefeitura.

Com isso, o custo total da obra do Nado salta para R$ 39 milhões. Apesar da alteração, o prazo de conclusão continua marcado para o segundo semestre do ano que vem.


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Porém, vale lembrar que o projeto de 2011 só ficou antigo por causa dos atrasos da prefeitura para iniciar as obras. Essa, por exemplo, é a segunda licitação aberta para executar as intervenções. Na primeira (saiba mais abaixo), a decisão foi parar na Justiça, por conta de empresas que não aceitaram o resultado do certame.

As intervenções englobam as sub-bacias Marimbondo e Lareira. Ambas vão passar por obras de tratamento de fundo de vale e controle de cheias para evitar inundações em Venda Nova, principalmente nos bairros São João Batista e Santa Mônica.

O projeto

As principais intervenções são: construção de duas bacias de controle de detenção de cheias em concreto no trecho entre ruas Hye Ribeiro e Elce Ribeiro; demolições de edificação que foram desapropriadas (já concluídas) e construção ao longo dos trechos de obras para implantar a faixa de preservação dos cursos d’água.


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Também estão no cronograma da Engibras Engenharia, empresa vencedora da licitação, a construção de galerias e de canais em concreto armado; a implantação de rede de drenagem nas ruas Hyé Ribeiro, Augusto Franco, Expedicionário Américo Fernandes e Bernardino Oliveira Pena e a implantação de praças de lazer nas ruas Maria de Lourdes de Carreira, Expedicionário Américo Fernandes e Bernardino Oliveira Pena.

O projeto do Nado prevê, ainda, a construção de interceptores de redes de esgotos, instauração de rede de drenagem em tubo de concreto armado nas ruas Monte Alverne, Alberto de Oliveira, Rui Barbosa e Ministro Oliveira Salazar, inauguração de praça entre as ruas Rui Barbosa e José Maria Botelho, e implantação de interceptores de rede de esgotos e redes coletoras às margens do Córrego Marimbondo.

Os dois cursos d’água desaguam no Córrego Vilarinho, o mesmo que causa tantos problemas na avenida de mesmo nome todos os anos. Em 15 de novembro do ano passado, quatro pessoas morreram em uma inundação na principal avenida de Venda Nova.

Linha do tempo do Nado

Com cerca de dois quilômetros de extensão, o Córrego Marimbondo, no Bairro Santa Mônica, e o Córrego Lareira, no Bairro São João Batista, tiveram suas obras de saneamento autorizadas em 2011. Entretanto, de lá pra cá, diversos entraves impediram o começo dos trabalhos.

Em 2011,

prefeitura elabora projeto para resolver os problemas dos córregos Lareira e Marimbondo, que formam o Nado.

Em 2014,

houve a desapropriação dos moradores próximos ao Marimbondo. Entretanto, em outubro daquele ano, o processo em pauta foi adiado pela Sudecap, que justificou à reportagem do Jornal O Tempo o atraso por motivo de “ajustes nas planilhas que compõem o projeto”.

Em 2016,

a PBH desclassificou as sete empresas concorrentes da licitação. Insatisfeitas, essas companhias apelaram à Justiça, que concedeu uma liminar favorável às iniciativas privadas. Para não correr o risco de arrastar o processo por anos no Judiciário, a PBH resolveu, em agosto daquele ano, cancelar a concorrência pública.

Em março 2018,

devido aos vários impedimentos, o que devia resguardar a população de enchentes se tornou em mais dor de cabeça. As casas desapropriadas, conforme noticiado pelo Jornal Norte Livre,abrigaram animais peçonhentos e serviram de ponto para tráfico de drogas.

Em abril e maio do mesmo ano,

a Sudecap iniciou a demolição das casas. Houve também a limpeza do Córrego Marimbondo, por parte da Superintendência de Limpeza Urbana (SLU). Neste mesmo período, moradores das imediações do Lareira denunciam, ao Norte Livre,invasões de casas já desapropriadas e o aumento da criminalidade no São João Batista.

Em julho de 2018,

a prefeitura abriu licitação para as obras nos mananciais Marimbondo e Lareira. O valor máximo para a execução das intervenções era de R$ 44 milhões, com entrega da documentação das partes interessadas até 16 de agosto.

Em agosto,

mais uma decepção para os moradores. A “constatação de erros na planilha orçamentária” fez a PBH remarcar a data de abertura do certame para o dia 11 de setembro do mesmo ano.

Em outubro,

a Engibras Engenharia foi escolhida para executar as obras. A empresa venceu a concorrência com uma proposta de R$ 34 milhões.

Novo atraso

A primeira previsão dava conta que os trabalhos começariam em dezembro. Contudo, houve um adiantamento para fevereiro por causa das chuvas.

Espera prolongada

Quando o segundo mês de 2019 chegou, mais um atraso. A prefeitura remarcou o pontapé inicial das intervenções para o fim do período de pluviosidade.

Em maio,

enfim, a prefeitura iniciou as obras nos mananciais. Segundo a Sudecap, a primeira fase das operações compreende a mobilização da comunidade.

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