Esgoto a céu aberto na rua Marrocos - casas abandonadas - Foto- William Araújo - Norte Livre Jornalismo-6
Esgoto a céu aberto na rua Marrocos - casas abandonadas - Foto- William Araújo - Norte Livre Jornalismo-6
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Por Gabriel Ronan e William Araújo

A Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (SMOBI), vai destinar R$ 4,4 milhões para obras de saneamento básico em Venda Nova. As informações foram obtidas com exclusividade pela reportagem, a partir do Plano Municipal de Saneamento (PMS – leia mais abaixo) e SMOBI.


Saiba mais

O investimento será destinado a 17 obras localizadas em Venda Nova. Elas englobam as gestões de resíduos sólidos e ambiental, além do Projeto Vila Viva – voltado à modernização de vilas e favelas.

O maior aporte fica por conta da bacia do Nado, onde a PBH vai desembolsar aproximadamente R$ 3 milhões em nove intervenções. A situação tem sido acompanhada pela reportagem desde março deste ano (saiba mais informações abaixo).

Cerca de R$ 566 mil vão ser direcionados somente às quatro obras de gestão ambiental na Avenida Vilarinho, onde constantes alagamentos prejudicam a população. Trata-se de uma demanda antiga de quem vive ou passa por Venda Nova.

Já no Córrego Floresta, que passa pelo bairro Serra Verde, serão investidos R$ 222 mil em três obras diferentes. Outros R$ 500 mil vão para um Plano de Regularização Urbanística (PRU) desenvolvido pela prefeitura.

Entre todas as 17 obras, sete dizem respeito ao Projeto Vila Viva (confira a situação da Vila Apolônia abaixo). No total, cerca de R$ 2,8 milhões do investimento (63,6% do montante de Venda Nova) pertencem à urbanização desses espaços.

Confira todos os valores investidos na tabela abaixo:

Córregos Marimbondo e Lareira

Um dos investimentos em destaque é a destinação de R$ 450.217,19 (quatrocentos e cinquenta mil, duzentos e dezessete reais e dezenove centavos) à bacia do Nado. O problema é abordado pelo Norte Livre desde março e engloba dois córregos: Lareira e Marimbondo.

Córrego Marimbondo - casas abandonadas - Foto- William Araújo - Norte Livre Jornalismo-2
Córrego Marimbondo – casas abandonadas – Foto- William Araújo – Norte Livre Jornalismo-2

No local, moradores do Bairro Santa Mônica reclamam da presença de usuários de drogas, animais transmissores de doenças, do acúmulo de lixo e da propagação da insegurança. As queixas se concentram em casas desapropriadas pela PBH, que só começaram a ser demolidas na semana passada.

Em reunião com a equipe de reportagem, Humberto Pereira de Abreu Júnior, Coordenador de Atendimento da Regional Venda Nova, explicou que a demora no desligamento da energia das casas e a invasão de famílias atrasaram o início das demolições.

A obra está parada desde 2014, quando o prazo de conclusão, informado pela Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap), era de 30 meses. Desde então, a licitação se arrastou até 2016, ano em que o processo foi pausado.

Agora, a expectativa dos moradores é que, enfim, as obras comecem. Neste momento, a PBH aguarda a conclusão do processo de licitação, que ainda não foi aberto.

Vila Apolônia atendida

Em abril, a equipe de reportagem constatou problemas de esgoto a céu aberto no Bairro Jardim Leblon, próximo à Vila Apolônia. Nas proximidades do fato, inclusive, há uma Unidade Municipal de Educação Infantil (Umei), na Rua Marrocos, 614.

Senhora de 93 anos de idade convive com esgoto a céu aberto - Foto- William Araújo - Norte Livre Jornalismo-14
Senhora de 93 anos de idade convive com esgoto a céu aberto – Foto- William Araújo – Norte Livre Jornalismo-14

Na ocasião, moradores ressaltaram problemas com inundações, higiene, proliferação de doenças causadas por vermes (verminoses) e contaminação de recursos hídricos.

Para resolver a questão, a prefeitura decidiu deslocar R$ 520 mil à Vila Apolônia. A quantia será repartida entre um projeto de urbanização (R$ 500 mil) e obras na Avenida Várzea da Palma (R$ 20 mil).

Na avenida, a erosão e o desmoronamento de um barracão impedem a passagem de pedestres e veículos. Segundo relatos de moradores, ninguém se machucou na queda do imóvel “por milagre”.

O vereador Cláudio Duarte (PSL) e técnicos da Sudecap e da Companhia Urbanizadora de Belo Horizonte (Urbel) também compareceram por meio de uma visita técnica.

O Plano Municipal de Saneamento

O Plano Municipal de Saneamento (PMS) partiu de estudos da Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (SMOBI) e da Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap), a partir da Lei 8.260/2001. O documento “é um instrumento de planejamento e monitoramento das ações de saneamento em BH, por meio de indicadores sanitários, epidemiológicos e ambientais“.

O PMS permitiu a avaliação e hierarquização das 98 bacias elementares e das 256 sub-bacias que compõem o território municipal. Dessa maneira, o texto orienta os órgãos públicos quanto aos investimentos prioritários na área de saneamento básico da cidade.

Conforme previsto na lei, o PMS precisa ser feito de quatro em quatro anos, com uma revisão no segundo ano de cada vigência. De acordo com a SMOBI, “a preocupação com a atualidade desse instrumento é garantir seu caráter dinâmico e permitir uma avaliação sistemática da eficiência e eficácia das ações de saneamento” em Belo Horizonte.

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