Casas no entorno do córrego Lareira em Venda Nova - abril - 2018 - Foto - William Araújo - Norte Livre-9
Casas no entorno do córrego Lareira em Venda Nova - abril - 2018 - Foto - William Araújo - Norte Livre-9
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Por William Araújo

No dia 12 de abril, durante visita técnica da Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) e representantes da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) no córrego Marimbondo, o engenheiro Farid Salles, representante da Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (SMOBI), disse aos participantes da reunião que, em até oito dias, começariam as obras de demolição das casas desapropriadas da região. Entretanto, até o momento, 13 dias após a promessa, nada aconteceu.


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Em contato com o Norte Livre, o morador e líder comunitário Paulo Barzel disse que passou diversos dias pelo local para saber se havia alguma movimentação de máquinas ou agentes da PBH, mas não viu nada.

Enquanto a PBH não toma atitudes, mato alto e animais peçonhentos proliferam na região. Outro problema informado pelos moradores é a quantidade de pessoas que fazem uso do local para práticas ilícitas.

Casas no entorno do córrego Lareira em Venda Nova - abril - 2018 - Foto - William Araújo - Norte Livre-7
Casas no entorno do córrego Lareira em Venda Nova – abril – 2018 – Foto – William Araújo – Norte Livre-7

A equipe de reportagem também esteve no local e não detectou nenhuma alteração conforme prometido na visita técnica. A demanda foi levada ontem à assessoria da Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap), que respondeu dizendo que estava apurando o caso. Entretanto, até a publicação desta matéria,  não houve qualquer retorno.

Novo capítulo: invasões e ousadia dos assaltantes no entorno do córrego Lareira

Há alguns anos, João Bosco da Costa, engenheiro mecânico, morador do bairro São João Batista, é um dos afetados pelas obras da bacia do córrego Lareira – outro curso d`água pertencente ao projeto de revitalização.

De acordo com ele, na rua Otávio Pereira existiam mais moradores, mas, depois do início das desapropriações, o local ficou a esmo, com mato alto e potencialmente perigoso.

Em 2017, assaltantes invadiram a residência do engenheiro mecânico enquanto ele e a esposa estavam trabalhando. Levaram joias, um relógio de pulso e um videogame.

Segundo João, o roubo não foi maior porque o filho, que tinha 15 anos à época, estava no andar de cima da residência e acionou a polícia. Quando os assaltantes perceberam a movimentação de viaturas na rua, fugiram do local.

Casas no entorno do córrego Lareira em Venda Nova - abril - 2018 - Foto - William Araújo - Norte Livre-4
Casas no entorno do córrego Lareira em Venda Nova – abril – 2018 – Foto – William Araújo – Norte Livre-4

Apesar da proximidade com o 49º Batalhão de Polícia Militar (650m), os invasores não ficaram intimidados. Com medo da violência, o casal instalou câmeras e cercas sobre os muros da casa que está no entorno do córrego e mudou para um apartamento alugado enquanto a PBH não resolve o problema.

Atualmente, a família gasta em torno de R$1800 com aluguel e a segurança motorizada da antiga casa.

Vizinhos tentam se proteger

Ainda no córrego Lareira, algumas casas foram demolidas em outubro de 2016. Entretanto, outras muitas foram desapropriadas pela PBH e permanecem de pé, sem portas, janelas e servindo como moradia a andarilhos.

De acordo com Jhonatan Trindade, bombeiro militar e morador do entorno do córrego, para contornar a insegurança gerada pela demora da PBH, os vizinhos distribuíram apitos entre eles e fazem barulho quando avistam suspeitos.

Segundo o bombeiro, na quarta-feira (18), dois homens chegaram em uma motocicleta e começaram a fazer medições. Desconfiado, anotou a placa do veículo e descobriu que o proprietário já era conhecido pela polícia por crimes de invasão a residências.

Além disso, a família de Jhonatan já capturou, recentemente, dois escorpiões no interior da residência, provenientes do mato alto e de uma casa que foi demolida e até agora não teve os escombros removidos.

“Fazem, aproximadamente, oito meses que a Prefeitura não faz a limpeza superficial e a capina do lugar”, diz o morador.

Entenda o caso

Em março, moradores do bairro Santa Mônica, no entorno do córrego Marimbondo, cansados de aguardar por respostas da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), decidiram trazer a público os problemas gerados pelos esqueletos das casas desapropriadas no plano de revitalização da área. As residências tiveram portas e janelas removidas e estão servindo para proliferação de animais peçonhentos e uso de drogas por andarilhos ou indigentes que vivem na região.

O caso foi noticiado no dia 16 do mesmo mês, contendo, inclusive, um vídeo da atual situação das casas e vizinhança. Após 27 dias, houve, em abril, a visita técnica de representantes da Secretária Municipal de Obras e Infraestrutura (Smobi – Farid Salles), da Gerência de Controle de Zoonoses de Venda Nova (Gerczo – Maria Antonieta), da Superintendência de Limpeza Urbana (SLU – Clarício Aguiar) e do solicitante da reunião, vereador Cláudio da Drogaria Duarte (PMN).

Além dos responsáveis técnicos, o Secretário de Obras de Belo Horizonte, Josué Valadão, também estava agendado para ir ao local, mas não compareceu.

Na data da visita, líderes comunitários expuseram, novamente, a situação para os órgãos públicos, que prometeram, na figura do engenheiro Farid Salles, iniciar as obras de demolição das casas em até oito dias, a partir daquele evento.

 


 

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