Córrego Marimbondo - casas abandonadas - Foto- William Araújo - Norte Livre Jornalismo-5
Córrego Marimbondo - casas abandonadas - Foto- William Araújo - Norte Livre Jornalismo-5
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Por Gabriel Ronan

Fim da espera para os moradores do bairro Santa Mônica. Na manhã desta quinta-feira, o engenheiro Farid Salles, representante da Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (SMOBI), garantiu que os imóveis abandonados próximos ao Córrego Marimbondo serão demolidos nas próximas semanas.

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De acordo com a SMOBI, o prazo é de oito dias para início da operação, que vai usar uma escavadeira de esteira e caminhões para carregar os entulhos, além de um pente-fino manual. O trabalho deve durar três dias para ser concluído e, para que não complique o trânsito no local, haverá uma reunião com a BHTrans para alinhar a melhor estratégia possível.

Todo o trabalho também será acompanhado pela Gerência de Controle de Zoonoses (GERCZO) de Venda Nova, com intuito de evitar acidentes com animais peçonhentos que habitam os imóveis. A informação foi repassada pela gerente do órgão, Maria Antonieta, também presente à ocasião.

Quanto à limpeza da região, Clarício de Aguiar, representante da Superintendência de Limpeza Urbana (SLU), afirmou que o órgão realizou trabalhos de capina e roçada em fevereiro. Segundo ele, a SLU não se responsabiliza pelos entulhos, apenas pelo lixo doméstico, varrição e coleta seletiva, além dos serviços realizados no começo do ano. Já a higienização do Córrego deverá ser feita ainda neste ano, apesar de atrasada.

“Esse córrego faz parte do nosso cronograma de atenção às chuvas. É um dos que a gente prioriza a limpeza, só que estamos com uma equipe pequena para atendimento de demandas. Então, não temos limpado o córrego na frequência de três a quatro vezes por ano”, afirmou o representante da SLU, Clarício de aguiar.

O local tem dado dor de cabeça aos cidadãos das ruas Rui Barbosa e José Maria Botelho. Conforme publicado pelo Norte Livre no último mês, os imóveis, que foram desapropriados para dar início à obra de revitalização do Córrego, são usados como ponto de tráfico de drogas, além de abrigar escorpiões e ratos em meio aos entulhos.

 “Essa briga nossa dura desde 1987. Os moradores estão apavorados pelos roedores e escorpiões, além do entulho abandonado aqui (nos imóveis desapropriados). A prefeitura tem que derrubar essas casas. Essa obra está parada desde 2013”, ressaltou Paulo Barzel, morador do bairro Santa Mônica presente à reunião.

Além dos funcionários da PBH, o vereador Cláudio da Drogaria Duarte (PSL) e membros do gabinete do vereador Dr. Nilton (PROS) compareceram à visita técnica.

Licitação nos planos

Se por um lado os moradores agradecem pela provável demolição das casas, ainda não há prazo exato para início das obras. Durante a visita técnica e em contato via e-mail, a Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura afirmou que o processo licitatório aguarda resoluções burocráticas, que estão em fase de revisão – mesma justificativa dada a um mês, quando o Norte Livre apurou os mesmos questionamentos.

Em 2016, a primeira licitação precisou ser cancelada após nenhuma das empresas concorrentes vencê-la. A obra está atrasada desde 2013, quando o prazo de conclusão, informado pela Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap), era de 30 meses.

Desapropriações levantam polêmica

Apesar da obra ainda não ter iniciado, vários moradores do entorno do Córrego Marimbondo precisaram deixar suas casas desde 2016. Eles relatam ter sofrido pressões por parte da PBH para sair dos imóveis, além das indenizações e apartamentos oferecidos serem abaixo da expectativa dos eleitores.

Em entrevista ao Norte Livre, uma desapropriada, que preferiu não dizer seu nome, afirmou que recebeu um apartamento de 47 m² como contrapartida, apesar de morar com o marido e três filhos. Segundo ela, os mais jovens precisaram se mudar, uma vez que não há espaço suficiente para toda família morar.

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