Padre Pedro Pinto, Nilza em pé e Judith e Maria no banco de trás - Década de 1950 - Via de Venda Nova - Fonte - Acervo pessoal de Nilza de Oliveria Miranda
Padre Pedro Pinto, Nilza em pé e Judith e Maria no banco de trás - Década de 1950 - Via de Venda Nova - Fonte - Acervo pessoal de Nilza de Oliveria Miranda
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Por William Araújo

Um acaso do destino levou a criança Nilza, natural de Melo Viana (antigo distrito de Esmeraldas), a ter as graças de um dos párocos mais ilustres de Venda Nova: o padre Pedro Pinto.

Quando o distrito ficou sem padre por causa de um acidente, o pároco Pedro Pinto foi socorrer o amigo que estava impossibilitado de celebrar as missas. Na mesma época, ano de 1939, a mãe de Nilza pediu que o sacerdote substituto batizasse sua filha.

Como não tinham padrinhos a acompanhando, Pedro Pinto assumiu a criança como afilhada.

Nilza ficou órfã em meados de 1943, mas a mãe, antes de falecer, enviou a menina para seu padrinho, que morava em Belo Horizonte e estava responsável pela paróquia Santo Antônio de Venda Nova desde 1924.

O padre era conhecido pela grande bondade. Havia adotado vários sobrinhos e com Nilza não foi diferente. Assumiu rapidamente a criança e a instalou junto com os seus na casa paroquial.

Judith, umas das sobrinhas tuteladas pelo pároco, cuidava de Nilza e virou mãe adotiva da menina.

Nos entrelaços das responsabilidades de padrinho, a figura do padre se tornou “Ti Pedro” nos lábios da criança.

Nilza cresceu marcada pela fraternidade e fé. Vivia ao lado de Judith e ajudava com as tarefas da igreja.

O padre, um eloquente orador e ousado líder, foi o primeiro entre as batinas a tirar a “Carta de Chauffeur” em Belo Horizonte. Ganhou um carro, um Ford 1928, o qual apelidou de “furreca” e subia e descia a rua Direita.

Celebrou missas na paróquia durante 29 anos, e quando a igreja estava muito velha, amarrou cordas nas paredes e na furreca, acelerou fundo e derrubou tudo.

Em seguida, ergueu as mangas e construiu um novo templo, com campanário e casa paroquial. Nos fundos, no alto da rua da Matriz, fez o cemitério.

Foto aérea da paróquia Santo Antônio de Venda Nova - Cemitério no alto, cercado por muros brancos fechando um quadrado - Década de 1940 - Fonte - Acervo pessoal de Nilza de Oliveira Miranda
Foto aérea da paróquia Santo Antônio de Venda Nova – Cemitério no alto, cercado por muros brancos fechando um quadrado – Década de 1940 – Fonte – Acervo pessoal de Nilza de Oliveira Miranda

Cuidou da criança Nilza por 10 anos. Viu a menina crescer e virar uma garota estudiosa, mas veio a falecer em quatro de maio de 1953, antes que pudesse vislumbrar o casamento da moça.

A comunidade guardou luto por muito tempo e chegou a colocar uma plaquinha com o nome do pároco na rua em frente à igreja.

Por volta de 1960, o vereador João de Paula Pires, sensibilizado pela singela homenagem, pediu a um amigo influente que mudasse o nome da rua Direita para rua Padre Pedro Pinto.

Nilza casou, teve filhos e mora até hoje ao lado da paróquia. Há, aproximadamente, 15 anos, a igreja construída pelo “Ti Pedro” foi demolida com a promessa de que um novo templo ocuparia seu lugar.

Padre Pedro Pinto faria 130 anos no dia 3 abril. Passou rápido por Venda Nova, mas mudou intensamente o lugar.

História, gentilmente, contada por sra. Nilza de Oliveira Miranda, afilhada do padre Pedro Pinto. Obrigado, sra. Nilza.

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