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Por Gabriel Ronan e William Araújo

Os incêndios criminosos contra ônibus tomaram conta do noticiário em Minas Gerais nos últimos anos. Em Venda Nova, a situação não é diferente: desde janeiro, ao menos 12 coletivos foram queimados na região e em municípios próximos, como Santa Luzia, Vespasiano e Ribeirão das Neves. O prejuízo total, segundo o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (Setra-BH) e o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros Metropolitano (Sintram), é estimado em R$ 6 milhões nas localidades somente neste ano.

O Bairro Piratininga e entorno são os mais atingidos, alvos dos criminosos em pelo menos três oportunidades diferentes. Em 21 de janeiro, um coletivo da linha 617 (Estação Pampulha/Piratininga via Rio Branco) foi incendiado, enquanto em 16 de abril outra unidade de mesmo número foi queimada. O último caso aconteceu em 26 de junho, quando um veículo da linha 640 (Jardim Leblon/Estação Venda Nova) foi vítima da ação ilícita.

Os Bairros Céu Azul, Jardim dos Comerciários, Santa Mônica e Serra Verde também já passaram pela situação. Nas cidades próximas a Venda Nova, o cenário de preocupação permanece o mesmo, já que Ribeirão das Neves perdeu ao menos quatro veículos, Vespasiano três e Santa Luzia dois coletivos no mínimo.


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Tal panorama não representa apenas um problema da polícia em conter os infratores, mas também prejuízo para as empresas e usuários do transporte público. De acordo com dados do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (Setra-BH), cada ônibus perdido representa um rombo de R$ 400 mil e deixa de atender, em média, 500 pessoas por dia.

Em todo o estado, segundo levantamento da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), foram 122 coletivos incendiados em 102 ocorrências. Os casos aconteceram em 39 cidades distintas.

Por que Venda Nova?

Em junho, no auge dos ataques em Minas Gerais, o governador do estado, Fernando Pimentel (PT), confirmou que a onda de crimes era comandada por uma facção criminosa. De acordo com o petista, o grupo promoveria incêndios como represália ao sistema carcerário mineiro.

“Nós estamos pagando o preço dos nosso presídios, do nosso sistema prisional, ser mais rigoroso do que a media brasileira, ou seja, cumprir a lei”, afirmou o governador em junho

A versão dada pelo político ganha força a partir dos bilhetes deixados pelos autores dos crimes nos ônibus. No caso do Bairro Serra Verde, em 26 de abril, os infratores deixaram um recado que denunciava maus-tratos em um presídio.

Militares gastaram 4,5 mil litros de água para conter incêndio na linha 617 (Estação Pampulha/Piratininga via Rio Branco), em Venda Nova, em abril. Foto: Corpo de Bombeiros.
Militares gastaram 4,5 mil litros de água para conter incêndio na linha 617 (Estação Pampulha/Piratininga via Rio Branco), em Venda Nova, em abril. Foto: Corpo de Bombeiros.

Por isso, a explicação para a concentração de crimes deste tipo em Venda Nova e nas cidades próximas pode ser explicada pelo número de presídios nas redondezas. Somente em Ribeirão das Neves estão situados cinco unidades carcerárias, enquanto Vespasiano e Santa Luzia abrigam outras duas.

Apesar dos dados, a Polícia Militar não confirma a hipótese levantada pela reportagem. Questionada sobre a razão dos fatos, a PM afirmou que tem feito um trabalho de prevenção contra os envolvidos no crime e que, desde o início de junho, já prendeu 129 suspeitos de queima de veículos em flagrante ou por mandado de prisão.

Prevenção

Para diminuir os números de ataques a ônibus em Minas Gerais, a Polícia Militar do estado adotou um maior refino das informações que chegam pelo Disque Denúncia 181, por meio de um canal específico. A novidade foi apresentada pela órgão de segurança pública em reunião com autoridades e sindicatos no fim de junho.

Além disso, no início deste mês, uma operação composta por integrantes do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), Secretaria de Administração Prisional do Governo do Estado de Minas Gerais (Seap/MG) e polícias Civil e Militar do estado atuou na desarticulação das lideranças da facção criminosa.

Como resultado, a Seap/MG adotou o remanejamento de presos no sistema carcerário mineiro, para evitar a troca de informações entre eles. Entretanto, a pasta não informa que alterações foram essas, por se tratar de dados relevantes para o sucesso do trabalho de prevenção.

Apesar dos esforços, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros Metropolitano (Sintram) anseia por “providências urgentes para frear os ataques“. A classe também afirma que não tem a intenção de prejudicar o transporte público com a não reposição dos veículos queimados, mas precisa de apoio do poder público.

Já o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (Setra-BH) avalia que a recorrência dos crimes causou um “desequilíbrio total” no transporte público da cidade.


 

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