Local em que deveria estar o acampamento da Sudecap - Foto 2 - William Araújo Jornal Norte Livre
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As obras de tratamento de fundo de vale e controle de cheias da sub-bacia do Nado, que compreende diversos córregos da região de Venda Nova, entre eles o Lareira e Marimbondo, sofreram novo adiamento. Apesar de a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) ter convocado reunião para apresentação do projeto em 28 de fevereiro e, na ocasião, informar que as obras começariam na segunda quinzena de março, nada aconteceu.

Os responsáveis pela apresentação do projeto citaram o dia primeiro de abril como data máxima para instalação do acampamento e escritório administrativo dos trabalhadores da obra. O local escolhido para o assentamento foi o lote situado entre as ruas Prof. Aimoré Dutra, Augusto Franco e Dr. Álvaro Camargos, próximo à galeria em que a jovem Anna Luisa caiu e foi levada pelas águas da última grande enchente ocorrida em Venda Nova. Entretanto, só o mato está ocupando o lugar.

Local em que deveria estar o acampamento da Sudecap – Foto – William Araújo Jornal Norte Livre

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Um adiamento após o outro

Desde março de 2018, a obra tem acumulado novos atrasos e adiamentos. Foram ao menos sete datas divulgadas e não cumpridas pela Sudecap.

Procurada pela equipe de reportagem em janeiro, data do penúltimo descumprimento de prazo, a Superintendência enviou nota explicando que as obras não foram iniciadas em dezembro de 2018 porque era aguardada a passagem do período chuvoso. A nova previsão para o início das obras seria o mês de fevereiro. Contudo, nada ocorreu.

Veja abaixo a nota enviada em janeiro:

A Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) informa que o início das obras de tratamento de fundo de vale e controle de cheias na bacia do córrego do Nado está previsto para fevereiro. O prazo de execução previsto de todos os trabalhos é de 540 dias a partir da assinatura da primeira ordem de serviço.  O investimento é de R$ 33.666.657,39, com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento, 2ª etapa (PAC-2).

Visando ao melhor andamento da obra, optou-se por iniciá-la ao término do período chuvoso para evitar interrupções no trabalho devido às chuvas.

Em seguida, os moradores foram convidados a participar da reunião de apresentação do projeto, quando a Sudecap informou as datas de março e abril.

Após os últimos prazos vencerem, o Jornal Norte Livre buscou, novamente, a Sudecap para obter informações sobre as motivações do atraso. A Superintendência enviou uma nota com mesmo contexto e apenas novas datas de previsão.

Veja abaixo a nota enviada em abril:

A Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) informa que a ordem de serviço para as obras de tratamento de fundo de vale e controle de cheias na bacia do córrego do Nado está previsto para este mês de abril. Visando ao melhor andamento da obra, optou-se por iniciá-la ao término do período chuvoso para evitar interrupções no trabalho devido às chuvas. O prazo de execução previsto de todos os trabalhos é de 540 dias a partir da assinatura da primeira ordem de serviço.  O investimento é de R$ 33.666.657,39, com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento, 2ª etapa (PAC-2).

De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), por meio da Seção de Análise e Previsão do Tempo ( Sepre), do quinto distrito de meteorologia de Minas Gerais, presente em Belo Horizonte, o período chuvoso de toda Região Sudeste ocorre entre os meses de outubro e março do ano seguinte, com intensificação durante a primeira quinzena de setembro e entre os meses de novembro e janeiro – considerado o trimestre com maiores índices pluviais.

Vários dias primeiro de abril

As obras na sub-bacia do Nado estão para acontecer desde 2011, quando a Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) estipulou 30 meses para ocorrerem. Em 2014, diversas famílias foram desapropriadas do entorno do Córrego Marimbondo, deixando para trás casas que, até o ano passado, estavam sendo invadidas por andarilhos e outras pessoas.

Em 2016, a licitação foi anulada e a obra definitivamente parou. Em março de 2018, moradores procuraram equipe de reportagem do Jornal Norte Livre para que a situação de perigo proveniente das casas desapropriadas fosse apurada. Após a série de matérias sobre o assunto, a licitação foi reaberta e vencida pela empresa Engibrás.

À época da primeira concorrência entre construtoras, os valores disponibilizados por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2) eram em torno de R$50 milhões. Agora, com as novas etapas da obra, o valor se limitou a R$ 33.666.657,39.

Conforme divulgação no Diário Oficial do Município (DOM), o contrato com a empresa Engibrás tem 690 dias de vigência desde a assinatura, ocorrida em 19 de novembro de 2018. Durante esse período, a construtora terá 540 dias concluir a obra e já se passaram 137 dias desde a oficialização do contrato.

Questionada se o orçamento de R$ 33 milhões foi disponibilizado para a Engibrás, a Sudecap disse não ter mais o que informar além do adiamento por causa do período chuvoso.


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Jornalista graduado pelo Centro Universitário de Belo Horizonte - UniBH, Bolsista PCCT na Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig)/Minas Faz Ciência, ilustrador, cartunista, videomaker, desenvolvedor web, jornalista editor no Jornal Norte Livre - parceiro hiperlocal do Portal Uai - com passagem pelo Jornal Daqui BH, conteudista, SEO (Search Engine Optimization), fotógrafo, animador 2D.