Córrego Marimbondo - casas abandonadas - Foto- William Araújo - Norte Livre Jornalismo-20
Córrego Marimbondo - casas abandonadas - Foto- William Araújo - Norte Livre Jornalismo-20
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Por Gabriel Ronan e William Araújo

Tráfico de drogas, animais transmissores de doenças, lixo e insegurança são alguns dos problemas listados pelos moradores do bairro Santa Mônica. Eles convivem com a incerteza sobre o futuro da revitalização do Córrego Marimbondo, que passa por ali.

A obra está atrasada desde 2011, quando o prazo de conclusão, informado pela Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap), era de 30 meses. Desde então, a licitação se arrastou até 2016, ano em que o processo foi anulado (leia mais abaixo).

Apesar da obra ainda não ter iniciado, diversas famílias foram desapropriadas desde 2014.

Uma desapropriada

De acordo com uma antiga moradora do local, que prefere não ser identificada, a PBH ofereceu a indenização de R$100 mil ou um apartamento em bairros próximos, com a circunstância da quantidade de quartos ser ligada à quantidade de filhas que os moradores tivessem.


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No caso dessa moradora, casada e mãe de três rapazes, a PBH disponibilizou um imóvel de até dois quartos. Um para o casal e outro para os filhos.

Como o apartamento tem 47m² e a antiga casa tinha três quartos, alguns filhos não puderam se mudar com a família e precisaram ir para outros locais. A moradora disse que, ainda, precisou se desfazer de um animal de estimação, que permanece no entorno da antiga residência.

Quando questionada sobre o motivo de ter escolhido o apartamento, a moradora disse que a indenização não era suficiente para comprar um imóvel próximo ao bairro, tentou obter um valor mais alto, mas a PBH não concordou, por isso precisou optar por morar próximo de onde seus filhos escolhessem se manter.

Segundo a moradora, a “PBH fez muita pressão para que aceitássemos os apartamentos, mas alguns vizinhos resistiram e estão lá até hoje”.

O início do processo de desapropriação começou há dois anos, mas a moradora se mudou somente em 16 de outubro de 2017, assinando um termo de demolição do antigo imóvel, o qual a PBH não informou a data de execução.

Quem ficou diz

A principal reclamação de quem ainda mora na região é o descaso da PBH com as casas desapropriadas. Os esqueletos das construções continuam de pé, o que atrai entulho, animais, traficantes e usuários de drogas.

Os invasores se aproveitam do que resta das casas para consumir e vender ilícitos, o que causa transtorno aos moradores próximos.

Um morador da região, inclusive, chegou a ser agredido pelos usuários após acionar a Polícia Militar. Outro precisou tirar dinheiro do próprio bolso para fechar com portão um imóvel, para evitar a proliferação de ratos.

Córrego Marimbondo - casas abandonadas - Foto- William Araújo - Norte Livre Jornalismo-6
Córrego Marimbondo – casas abandonadas – Foto- William Araújo – Norte Livre Jornalismo

Sobre o estado de abandono das casas, a Sudecap afirma que ”os entulhos continuam no local para evitar a invasão nos imóveis demolidos”.

Polícia Militar se posiciona

Diante das adversidades, os moradores próximos ao Córrego Marimbondo frequentemente acionam a Polícia Militar, que fornece apoio pelo 49º Batalhão. 

Ainda que os cidadãos se sintam inseguros, o índice de criminalidade da região é baixo, segundo dados fornecidos pela PM.

De acordo com o subcomandante do 49º Batalhão, Maj. Ricardo, responsável pela segurança da região, as pessoas precisam cooperar com a Polícia Militar para efetivar a segurança do local. Segundo o Major, com as denúncias (feitas anonimamente pelo 181), o patrulhamento pode ser preciso e minimizar a sensação de insegurança.

”Uma questão que a gente coloca, mesmo, é que as pessoas participem. Não tenham medo de acionar a Polícia Militar toda vez que perceberem que tem pessoas suspeitas no local; ou senão através do disque-denúncia, nosso 181, que preserva de fato a identidade das pessoas, para que, com as informações , possamos fazer intervenções pontuais nos locais”, diz o Major.

Além disso, existem posturas indicadas para melhorar a segurança do local, como pedir à PBH a substituição das lâmpadas de iluminação pública por LEDs e a poda dos lotes vagos. O cidadão pode solicitar os serviços pelo Sistema de Atendimento da prefeitura.

Para tratar os problemas de interesse da comunidade, o 49º Batalhão possui duas regiões com atendimento aos Conselhos de Segurança Pública (Consep 14 e Consep 15), em que a comunidade pode participar das reuniões que ocorrem mensalmente e apresentar suas demandas.

Ouça a entrevista na íntegra.

Licitação atrasada

Apesar da urgência para o início da obra, a licitação parece não sair do lugar. Há dois anos, a justificativa para a anulação se dava na desclassificação das empresas concorrentes.

Insatisfeitas com o julgamento da prefeitura, as organizações privadas entraram na Justiça e conseguiram liminar favorável, fato que se estenderia por anos. Para não protelar ainda mais, a PBH optou pelo cancelamento do processo licitatório.

Em contato com o Jornal Norte Livre, a Sudecap garante o início da obra ainda no primeiro semestre deste ano, apesar do impasse. Segundo a superintendência, os ”projetos e os orçamentos estão em fase de revisão”.

Córrego contribui para alagamento da Vilarinho

Não é só as famílias da rua Rui Barbosa que são prejudicadas pelo atraso da obra. O Córrego Marimbondo faz parte das sub-bacias do Córrego do Nado, que, por sua vez, faz confluência com o Vilarinho e causa tantos problemas para a população de Venda Nova.

Dessa maneira, a revitalização do Marimbondo contribuiria para a diminuição dos alagamentos na Vilarinho, durante o período de chuva.

Sobre o problema, a Secretaria de Obras e Infraestrutura informa que ”está prevista para este ano publicação do edital de licitação para a contratação de diagnóstico da bacia do Vilarinho e a elaboração de estudos de micro e macrodrenagem na região”.

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