Photo by Paul Green on Unsplash
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Antes de iniciar minha participação nesta coluna, pensei bem em qual tema deveria abordar. Afinal de contas, falar sobre pessoas com deficiência não é apenas relatar minhas experiências pessoais como cadeirante, mas um processo de ensino social. Muitas pessoas desconhecem nossa realidade, tomando assim como referência nossas falas. Além disso, minha escrita não é das mais adocicadas. Esta autora possui um leve sabor de ironia, misturada a uma boa dose de reflexão em suas palavras.

Foi então que me ocorreu falar sobre inclusão, ou melhor sobre o “clube dos incluídos”, como o título sinalizou. Para fazer parte deste clube, assim como tantos outros, é preciso alguns requisitos. É preciso não fazer parte de algumas decisões públicas, ter dificuldades para acessar espaços – devido a qualquer coisa em seu corpo. Pode ser seu peso, sua idade ou ausência de um membro. Se tiver filhos, também pode entrar no clube, mas desde que sejam aqueles de colo.

Para os membros deste clube, reservam-se espaços especiais, pois eles não podem se misturar com os outros. São tão VIPs, que foi necessário criar leis para que a maioria das pessoas compreendessem suas necessidades. Assim, aquele que infringir o santo espaço, será penalizado.

O mais interessante desde clube seleto é que seus membros não escolheram estar nele, pelo contrário, anseiam por sair e ocupar outros espaços. Porém, os que estão fora dele não compreendem os motivos desta saída. Ora essa, separamos estes lugares, eles dizem, o que mais desejam?

Esta pequena anedota nos faz refletir sobre o que de fato é inclusão. Uma sociedade verdadeiramente inclusiva não é aquela que separa condições de tratamento para as pessoas com deficiência ou mobilidades reduzidas, mas promove meios para que todos se locomovam com autonomia por onde quer que seja. O direito de ir e vir deve ser garantido para todos, afinal.

Cada pessoa possui características físicas que a diferencia, cada um possui um modo de pensar e elaborar as coisas que o torna único. O mesmo se aplica a quem tem algum tipo de deficiência.

Compreendo a necessidade de elaborar medidas em busca de uma igualdade de direitos, e sou a favor delas, mas, antes de tudo, é preciso realizar uma mudança no modo de lidar e ver aqueles que são diferentes. Para lidar com diversidade, devemos mudar as nossas atitudes diante daquilo que é diferente. Respeito é o começo de tudo, não é?

O clube dos incluídos é para todos. Pensemos bem, todos pretendemos envelhecer um dia, ou ter filhos, e precisarmos usar carrinhos para andar com eles nas calçadas. Até mesmo corremos o risco de sofrer algum acidente, quebrar algum membro e usar cadeira de rodas por um tempo.

Claro que essas experiências de longe se assemelham a ter deficiência, mas o que pretendo mostrar é a importância de ter uma cidade acessível, para que todos possam transitar sem dificuldades por ela.

A deficiência acontece quando encontramos barreiras para realizar atividades comuns. Para exemplificar a você, vou relatar minha rotina de trabalho. Tenho tudo ao meu alcance: computador, celular, agenda, canetas etc. Não encontro dificuldade alguma durante meu dia, portanto, minha condição de deficiência se mostra inexistente. Contudo, para sair de casa, tenho de lidar com calçadas desniveladas, ruas de calçamentos e morros que exigem muito da minha cadeira de rodas (e olha que ela é potente).

Compreenderam? Por esse motivo, minha proposta nesta coluna e nos próximos textos é aproximar vocês deste “clubinho” aí em cima e mostrar como nossa vida é semelhante à de vocês, sem deficiência, tirar dúvidas e falar sobre a vida. Como boa mineira, gosto de uma boa prosa.

Sejam bem vindos e bem vindas ao nosso “clube dos incluídos”!

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