Ruvin Noga - Unsplash
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Fatine Oliveira

Revistas, televisão, sites e diversos meios de comunicação costumam nos apresentar produtos, serviços e formas de conduzirmos nossas vidas de maneira prática e aceitável. Tudo bem explicado, didaticamente, como se fossem tutoriais básicos de sobrevivência. “Para saúde perfeita, beba tal refresco”, e pronto. Problemas resolvidos.


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Aceitamos estas sugestões sem questionar. Não temos muito tempo para isso, pois a rotina de trabalho ocupa nossas ideias e, quando paramos, desejamos apenas descansar. Deixamos todo o raciocínio a serviço das maquinas que nos acompanham. A tecnologia é abraçada como um acalento ao espírito. “Para organizar suas tarefas, baixe o aplicativo tal”, e pronto. Produção resolvida.

Esquecemos do que gostamos, quem somos ou o que desejamos. Nestas horas, sites de moda e estilo nos apresentam as tendências da estação, as combinações perfeitas para seu look despertar atenção de todos. Tudo disponível em suaves prestações em boletos mensais do cartão de crédito. “Para arrasar na balada, use a marca tal”, e pronto. Vida social resolvida.

Mas, às vezes, não nos vemos nestes lugares. Nossa saúde não segue os requisitos básicos de funcionamento, nossa mente insiste em questionar e a multidão costuma piorar ainda mais o sentimento de solidão. Não nos encaixamos nesses padrões, por isso iniciamos uma jornada para saber qual lugar nos cabe.

Sentimos o peso da feiura. Do deslocamento, do estranho, do bizarro. O silêncio do não desejado. Muitos de nós sabemos como é chegar a um lugar e receber aquele olhar de curiosidade, do não aceito.

Não há padrão para a exclusão social. Pode ser o gordo, o muito magro, o muito alto ou o muito baixo, pessoa com deficiência, pessoa com marcas/cicatrizes, negro, albino e todo aquele que possui algo fora da curva.

É difícil encontrar o ajuste certo dentro de uma sociedade de narcisistas, mas para que se adequar, afinal? Tentar pertencer a um mundo onde o lugar não é permanente e onde tudo tornou-se fluido é tarefa em vão.

Há uma liberdade muito bonita em não pertencer a lugar algum. Podemos ser quem realmente somos, experimentar nossas belezas em todas as nuances possíveis, explorar nosso corpo como podemos. Espelhos não são capazes de captar essências.

Por esse motivo, devemos ir além do padrão, do lugar comum. Buscar a vida onde ela acontece, estar com quem gostamos, quem nos ama, abrir a mente e o coração sempre que possível. Seja o rio que corre rumo ao mar, mesmo que alguns narcisos insistam em mergulhar no seu caminho.

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