Cruzes na Vilarinho - Foto - William Araujo - Jornal Norte Livre
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Por Gabriel Ronan e William Araújo

Em entrevista coletiva na manhã desta quarta-feira (19), a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) anunciou que vai construir dois túneis subterrâneos e uma estrutura hidráulica de confluência (espécie de piscinão) nas imediações da Avenida Vilarinho, em Venda Nova. O anúncio aconteceu horas após moradores cravarem 69 cruzes de madeira em local com registro de mortos por afogamento proveniente do alagamento ocorrido em novembro.


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As obras devem começar no segundo semestre de 2019 e vão custar cerca de R$ 300 milhões, segundo o prefeito Alexandre Kalil (PHS). Antes disso, por volta de abril próximo, haverá o detalhamento do projeto e a abertura de uma licitação para a execução das intervenções.

De acordo com o projeto elaborado pela Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap), o primeiro túnel pretende desviar o córrego Vilarinho e terá 806 metros de extensão. O segundo túnel, conforme o projeto, terá 730 metros e ficará na confluência entre os córregos Vilarinho e Nado – próxima à rotatória da Estação Vilarinho.

Com a primeira estrutura, a PBH estima que haverá acréscimo de vazão de 160 m³ por segundo no Vilarinho. Já com a segunda galeria, o Executivo municipal planeja que haverá uma saída de 145 m³ por segundo. Os dois equipamentos terão cinco metros de altura por cinco metros de largura em toda extensão.

Além dos túneis, o projeto da prefeitura inclui a canalização do córrego Floresta, também em Venda Nova. Com isso, um viaduto será erguido na Rua Joaquim Clemente, no Bairro Juliana, Região Norte da cidade.

De acordo com o prefeito Alexandre Kalil, não haverá desapropriação alguma para as atividades. Ainda segundo ele, caso não existam atrasos, a obra será entregue em um ano e meio.

Quanto aos recursos, o secretário Municipal de Fazenda, Fuad Noman Filho, informou que já há negociações com bancos internacionais interessados no projeto. Os empréstimos, contudo, necessitam de aprovação da Câmara dos Vereadores.

Eles passarão, eu Vilarinho

Na noite da terça-feira (18), manifestantes ocuparam o canteiro central que serve para direcionar o trânsito de retorno da Avenida Vilarinho, na altura do número 945, em frente ao Habibs. Eles cravaram 69 cruzes de madeira no chão para atrair a atenção de motoristas e transeuntes sobre o risco à vida de quem passa pelo local em período chuvoso.

Além dessa motivação, o ato pretende pressionar órgãos públicos para que solucionem o problema sem que existam mais vítimas e sem agressões ao meio ambiente.

De acordo com Ricardo Andrade, idealizador da manifestação, “o córrego Vilarinho foi enterrado pelo governo e está morto”. As cruzes não remetem ao número direto de mortes ocasionadas por alagamentos, mas sugerem a quantidade de vítimas provenientes de problemas com vetores de doenças e outras complicações vindas da agressão ao curso d’água.

Cruzes na Vilarinho – Foto – William Araujo – Jornal Norte Livre

Uma das cruzes foi pintada de branco para simbolizar a criança que faleceu, em novembro, abraçada à mãe enquanto o carro em que estavam era tomado pelas águas da enchente.

Segundo manifestantes, o poder público não se importa com a opinião popular e quando propõe soluções não pensa no meio ambiente e na qualidade de vida de quem reside próximo.

“Eles chegam com o projetos prontos, conseguem a assinatura de duas ou três pessoas como representantes dos moradores de Venda Nova, iniciam as obras e não calculam o impacto a longo prazo na vida dos moradores e do córrego. Em qual lei se permite a construção de um shopping e uma estação sobre um rio? É uma vergonha e chega a ser ridículo as pessoas fugirem da enchente pelas escadarias de acesso do metrô”, afirma Ricardo Andrade.

Veja abaixo o vídeo produzido pelos manifestantes para sensibilizar a população e registrar demandas como a participação dos moradores nas tomadas de decisões e a descanalização do córrego Vilarinho.

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