Foto cedida gentilmente por Bruna Cris - Oficineira de Audiovisual
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Desde o dia 11 de março, quando o Governo de Minas Gerais emitiu informe sobre o fechamento da Unidade de Prevenção à Criminalidade do Bairro Minas Caixa (UPC Minas Caixa), moradores de Venda Nova começaram a se mobilizar. A UPC foi implantada em 2008 e é responsável, hoje, pelos programas de Mediação de Conflitos (PMC) e “Fica Vivo”.


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A origem da UPC se deu quando, há cerca de dez anos, a Secretaria de Estado de Defesa Social solicitou ao Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública (CRISP) o “Diagnóstico Quantitativo do Aglomerado do Borel”, local limítrofe com o Bairro Minas Caixa e mais conhecido pela comunidade como “Morro do Borel”.

À época, o Crisp apresentou na conclusão que os moradores do aglomerado do Borel possuíam realidade pior do que a da cidade de Belo Horizonte, principalmente, no que dizia  respeito à escolaridade. Ou seja, os indicadores de renda e educação do “Morro do Borel” ficaram todos abaixo da média da capital.

Entretanto, no assunto criminalidade, os crimes violentos registraram a alta média de 10 ocorrências por mês, compreendendo, entre 2000 e 2006, 734 roubos ou “roubos cometidos com o uso de armas”.

Após uma década de atuação na comunidade, de acordo com a Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp), as estatísticas de homicídios para 2019 foram zeradas na UPC Minas Caixa. Todavia, com a justificativa de corte de gastos e situação financeira herdada da gestão anterior, o Governo do Estado decidiu fechar a Unidade com o intuito de economizar na ordem de R$500 mil por ano. Segundo a Sesp, a ação é pontual e partiu de estudo aprofundado.

Veja abaixo a nota enviada para o Jornal Norte Livre.

”A Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) tem a previsão de fechar três Centros de Prevenção, localizados em Araguari, Uberlândia e Belo Horizonte, na região do Minas Caixa. Tais regiões tiveram reduções significativas de criminalidade, com diminuição de estatísticas entre 2017 e 2018, estando, inclusive, a região do Minas Caixa e Jardim Canaã, em Uberlândia, zeradas em número de homicídios neste ano. A previsão de economia é de cerca de R$ 500 mil/ano por unidade.”

Questionados pela equipe de reportagem sobre o risco das estatísticas regredirem após o fechamento da UPC Minas Caixa, o Sesp, na mesma nota, informou:

”Todo o Governo, a Sesp e as forças de segurança se comprometem a trabalhar intensamente e de forma integrada com diversas áreas para minimizar qualquer impacto na segurança destas comunidades. O trabalho de prestação de serviços de segurança realizado em qualquer comunidade é complexo e multissetorial, não se podendo, neste momento, fazer qualquer avaliação negativa sobre a realidade posterior à supressão dos centros.”

Prevenir é melhor do que remediar

Entre os períodos de dezembro de 2017 e novembro de 2018, a UPC Minas Caixa realizou pelo Programa de Mediação de Conflitos (PMC) 485 atendimentos e 90 encaminhamentos de caso à rede de proteção social, que é composta por órgãos como o Ministério Público, Defensoria Jurídica, Assistência Social e outros.

O programa de prevenção à criminalidade e controle de homicídios “Fica Vivo” é responsável pelo atendimento individual (com Analistas Sociais) e coletivo de jovens entre 12 e 24 anos.

A UPC Minas Caixa também oferece o serviço e registrou no mesmo período, entre 2017 e 2018, a média de 18 oficinas voltadas para futsal, graffite, comunicação, produção cultural, teatro e corte de cabelos. Foram 2472 atendimentos ocorridos em um ano.

Ao todo, 315 pessoas foram ajudadas pela Mediação de Conflitos e 427 jovens, em média, atendidos pelo “Fica Vivo” na UPC Minas Caixa.

Sabendo da importância da UPC, no dia 20 de março, oficineiros, jovens atendidos e outros membros da comunidade do aglomerado do Borel e Bairro Minas Caixa fizeram uma manifestação pacífica em frente à Cidade Administrativa, no Bairro Serra Verde. Durante a tarde de protestos, compareceram, aproximadamente, 40 pessoas.

Bruna Cris, oficineira de audiovisual e uma das organizadoras do ato, teve o primeiro contato com o programa “Fica Vivo” em 2009, quando participava das oficinas de teatro. Hoje, ela atende a jovens em situação de risco e demonstra empiricamente o valor do projeto.

A manifestação culminou na reunião com o Secretário Geral do Governo do Estado de Minas Gerais, Igor Eto, que disse sobre a possibilidade de avaliação do problema.

Vídeo retirado do Blog Fica Vivo Minas Caixa

A união faz a força

Durante a apuração do Jornal Norte Livre e enquanto novos manifestos estavam sendo organizados, o Governo do Estado reavaliou a decisão e emitiu nota oficial dizendo que as Unidades de Prevenção à Criminalidade citadas não seriam mais fechadas. Veja abaixo:

”O Governo de Minas fez uma reavaliação do planejamento financeiro e dos cortes direcionados a cada área e optou pela manutenção dos Centros de Prevenção à Criminalidade de Araguari, Uberlândia e Belo Horizonte, na região do Minas Caixa. As unidades não serão fechadas e continuarão normalmente a trabalhar no atendimento prestado à população.”


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Jornalista graduado pelo Centro Universitário de Belo Horizonte - UniBH, Bolsista PCCT na Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig)/Minas Faz Ciência, ilustrador, cartunista, videomaker, desenvolvedor web, jornalista editor no Jornal Norte Livre - parceiro hiperlocal do Portal Uai - com passagem pelo Jornal Daqui BH, conteudista, SEO (Search Engine Optimization), fotógrafo, animador 2D.