Projeto de aquaponia Escola Municipal Gracy Vianna Lage - Foto William Araújo - Jornal Norte Livre
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Como atrair a atenção de crianças e adolescentes, gerar maior sensação de pertencimento, dar uso a espaços com dificuldade de aproveitamento, estimular o aprendizado e ainda contribuir para uma dieta saudável e para a sustentabilidade local?

Esses são os questionamentos respondidos pelo projeto de aquaponia desenvolvido pela Escola Municipal Gracy Vianna Lage, situada no Bairro Jardim dos Comerciários, Rua João Soares Leal, 23.


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Desde 2017, professores do eixo da biologia e monitores da escola perceberam o potencial de sustentabilidade nos declives dos terrenos do bairro. O Jardim Comerciários e o Bairro Nova York, em Venda Nova, possuem acentuada inclinação, ocupações irregulares e ladeiras estreitas e íngremes.

Por isso, em março deste ano, impulsionados pelo aproveitamento criativo do espaço em que atuam, a equipe composta pela professora de Ciências e Robótica Kênya Nunes, pelo monitor Fernando Marcelino, pelo auxiliar de manutenção Francisco Januário e pela coordenadora Roselita Soares criaram o projeto de aquapônia “Meu espaço bem, meu corpo bem”.

O que é a aquaponia?

De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a aquaponia é a união das técnicas de cultivo de peixes e crustáceos (aquicultura) com as técnicas de agricultura sem solo (hidroponia).

Conforme a professora Kênia Nunes, terrenos íngremes geram alguns desafios para serem aproveitados pela agricultura convencional, pois a lixiviação do solo diminui a fertilidade deles ao longo do tempo. Entretanto, para a aquaponia, o declive torna esses espaços interessantes para aplicação da técnica.

Conforme a professora Kênia Nunes, terrenos íngremes geram alguns desafios para serem aproveitados pela agricultura convencional, pois a lixiviação do solo diminui a fertilidade deles ao longo do tempo. Entretanto, para a aquaponia, o declive torna esses espaços interessantes para aplicação da técnica.

O que é

LIXIVIAÇÃO?

… é o processo erosivo causado pela lavagem da camada do solo sem cobertura vegetal. Ela é ocasionada pelo escoamento de águas superficiais, como a da chuva.

A ideia surgiu com o monitor Fernando Marcelino, que teve contato com a técnica no Rio de Janeiro e sugeriu a implantação na escola. De acordo com Kênia, a proposta inicial do professores era somente aproveitar a água da chuva que escoava pelos telhados, mas com a aquaponia, puderam expandir para novas formas de sustentabilidade.

Como funciona?

Hoje, a escola possui uma caixa d’água de mil litros para abrigar 200 tilápias ainda pequenas, um tanque de 250 litros em que são cultivados os alimentos na argila expandida, uma bomba d’água reaproveitada de um tanquinho velho e um sistema de encanamentos que faz a circulação dos líquidos.

A caixa d’água de mil litros fica em plano inferior e os peixes comportados nela geram o adubo orgânico rico em nitrogênio. A água é sugada pela bomba e elevada para o tanque de 250 litros, que está em plano superior e possui um “ladrão” para o escoamento de retorno até a caixa d’água.

Neste processo de circulação da água, as raízes dos cultivos que estão no tanque de 250 litros entram em contato com os nutrientes provenientes dos resíduos orgânicos dos peixes.

  • Projeto de Aquaponia Escola Municipal Gracy Vianna Lage – Foto 2 William Araújo – Jornal Norte Livre
  • Projeto de Aquaponia Escola Municipal Gracy Vianna Lage – Foto 8 William Araújo – Jornal Norte Livre
  • Projeto aquaponia e bairro Jardim Comerciários ao fundo – Foto – William Araújo Jornal Norte Livre
  • Projeto-de-Aquaponia-Escola-Municipal-Gracy-Vianna-Lage-Foto-4-William-Araújo-Jornal-Norte-Livre
  • Francisco Januário – Auxiliar de manutenção
  • Projeto-de-Aquaponia-Escola-Municipal-Gracy-Vianna-Lage-Foto-5-William-Araújo-Jornal-Norte-Livre
  • Kênya Nunes – Projeto de Aquaponia Escola Municipal Gracy Vianna Lage – Foto William Araújo Jornal Norte Livre

Segundo Kênia, é necessário fazer o acompanhamento da quantidade de excrementos produzidos no local em que ficam os peixes, pois quando existe muita turbidez, a água que sobe para as plantas precisa passar por um filtro a mais, que são as espumas reaproveitadas de colchões.

Kênya Nunes – Foto William Araújo Jornal Norte Livre

Além disso, os peixes crescem dentro da caixa d’água até terem tamanho ideal para o consumo, quando são retirados para alimentação. Essa cadeia de processos pode trazer, inclusive, ganhos socioeconômicos para a região.

“A aquaponia tem vários benefícios, desde o aumento da interação com os alunos, que sentem-se mais motivados e adotam os peixes e a horta, até a possibilidade de ganhos financeiros que a comunidade no entorno pode conseguir ao aplicar a técnica em casa, diz Kênia Nunes.”

Sobre o perigo de proliferação do mosquito Aedes aegypiti, a aquaponia se mostra segura pois a água circula constantemente e os peixes consomem as larvas, diz a bióloga. Outra qualidade da horta não convencional é o melhoramento da dieta dos alunos, que, em alguns casos, frequentam a escola, também, para se alimentarem dos nutrientes que não têm habitualmente em casa.

Foto cedida pela direção da Escola

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Jornalista graduado pelo Centro Universitário de Belo Horizonte - UniBH, Bolsista PCCT na Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig)/Minas Faz Ciência, ilustrador, cartunista, videomaker, desenvolvedor web, jornalista editor no Jornal Norte Livre - parceiro hiperlocal do Portal Uai - com passagem pelo Jornal Daqui BH, conteudista, SEO (Search Engine Optimization), fotógrafo, animador 2D.