Esgoto a céu aberto na rua Marrocos - Foto- William Araújo - Norte Livre Jornalismo-28
Esgoto a céu aberto na rua Marrocos - Foto- William Araújo - Norte Livre Jornalismo-28
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Por Gabriel Ronan e William Araújo

“Vemos as crianças andando no meio da água contaminada diariamente”.

 

Essa é a realidade de moradores da rua Marrocos, no bairro Jardim Leblon, em Venda Nova. O esgoto a céu aberto é o obstáculo cotidiano dos usuários da Unidade Municipal de Educação Infantil (Umei) Vila Apolônia, situada no número 614 da via.


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De acordo com relatos de moradores que preferem ficar anônimos, crianças precisam ser carregadas durante o período de chuva para evitarem o risco de contaminação por alguma doença.

“O esgoto vem de um prédio localizado na rua Egito”, dizem os vizinhos.

Esgoto a céu aberto na rua Marrocos - Foto- William Araújo - Norte Livre Jornalismo-30
Esgoto a céu aberto na rua Marrocos – Foto- William Araújo – Norte Livre Jornalismo-30

Entretanto, nesta quinta-feira, por meio de visita técnica ao local, profissionais da Companhia Urbanizadora e de Habitação de Belo Horizonte (URBEL) e da Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) avaliaram que não é possível assegurar de onde vem o esgoto.

Segundo eles, nenhum trabalho específico foi feito nas proximidades pelos órgãos competentes, o que dificulta a análise. Para isso, foi acordado que a prefeitura visitará cada moradia próxima ao problema para descobrir o local de início do trajeto dos rejeitos.

Técnicos visitam a rua Marrocos e ouvem moradores - Foto- William Araújo - Norte Livre Jornalismo-9
Técnicos visitam a rua Marrocos e ouvem moradores – Foto- William Araújo – Norte Livre Jornalismo-9

A visita foi agendada pela Comissão de Meio Ambiente e Política Urbana, por meio do vereador Cláudio da Drogaria Duarte (PMN).

“Será acionado um departamento da prefeitura para fiscalizar os imóveis do entorno, para descobrir quem está jogando aquele esgoto de maneira clandestina. Posteriormente, o responsável será notificado e punido, para coibir esse tipo de ação”, afirmou o vereador ao Norte Livre.

 

Os supostos responsáveis

A reportagem foi até o condomínio indicado pelos moradores como suposta fonte do despejo do esgoto. Na rua Egito, é possível ver a canalização para escoamento do fluxo pluvial, mas não há meios de detectar, sem análise técnica, onde está a manilha que faz o despejo da água contaminada.

A equipe fez contato com a pessoa que exerce o papel de organizadora do condomínio, mas, até o momento da publicação, não houve resposta às perguntas. Em outra tentativa de obter informações, várias ligações foram feitas para o escritório de engenharia responsável pela obra, entretanto ninguém atendeu aos telefonemas.

Esgoto a céu aberto na rua Marrocos - Foto- William Araújo - Norte Livre Jornalismo-7
Esgoto a céu aberto na rua Marrocos – Foto- William Araújo – Norte Livre Jornalismo-7

Números e consequências

Segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), 27% dos brasileiros não têm acesso ao tratamento e coleta de esgoto. Na região Sudeste, 41% da população convive com situações precárias ou ausentes de saneamento.

De acordo com o mesmo estudo da ANA, em todo o Brasil, apenas 14% das cidades retiram o mínimo de matéria orgânica das águas, o que gira em torno de 60%. A exigência é estabelecida pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).

Entre os efeitos, está a proliferação de doenças causadas por vermes (verminoses) e hepatite A, por meio do consumo de alimentos contaminados. Outra decorrência se dá na contaminação dos recursos hídricos, o que complica o abastecimento da população.

Senhora de 93 anos de idade convive com esgoto a céu aberto - Foto- William Araújo - Norte Livre Jornalismo-14
Senhora de 93 anos de idade convive com esgoto a céu aberto – Foto- William Araújo – Norte Livre Jornalismo-14

Alagamentos

Além das limitações quanto ao esgoto, os cidadãos da rua Marrocos enfrentam problemas com o escoamento da água da chuva. “Quando chove, a água invade e precisamos dar a volta na outra rua”, relata uma das moradoras.

Parte de um barracão localizado na Vila Apolônia já desmoronou, pelos efeitos da erosão nas partes inferiores. Segundo os técnicos presentes à visita, haverá o levantamento conjunto entre Sudecap, Urbel e prefeitura para planejar um projeto a ser executado. Porém, os órgãos ainda não sabem qual o cronograma de obras para o local.

Erosão causada pelo fluxo pluvial de águas na rua Marrocos - Foto- William Araújo - Norte Livre Jornalismo-25
Erosão causada pelo fluxo pluvial de águas na rua Marrocos – Foto- William Araújo – Norte Livre Jornalismo-25

A partir dessa definição, será possível afirmar se os moradores da rua Marrocos serão ou não atendidos.

De acordo com o vereador Cláudio da Drogaria Duarte (PMN), caso o local esteja fora do cronograma do projeto “Vila Viva” – responsável por urbanizar vilas e favelas – haverá a elaboração de um projeto de obra a ser executada para atender a demanda, a partir da visita técnica realizada.

Ainda de acordo com os técnicos, a obra de drenagem precisa partir das casas situadas na parte inferior para, depois, alcançar as localizadas acima. Caso contrário, haverá uma concentração das águas nas casas mais baixas, o que amplia a erosão.

 


 

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