Manisfesto caso Yuri - Foto: Will Araújo
Manisfesto caso Yuri - Foto: Will Araújo
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No dia 21 de julho, madrugada de sábado para domingo, em patrulha da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), empenhada no 49ª Batalhão, 15ª Companhia, em Venda Nova, policiais trocaram tiros com suspeitos de tráfico na Vila Apolônia. Na incursão, Yuri, de 16 anos de idade, foi alvejado e levado em estado grave ao Hospital Risoleta Tolentino Neves, mas, após trabalho cirúrgico dos médicos, não suportou e veio a falecer. O outro suspeito conseguiu fugir.

Contudo, vizinhos do jovem, inconformados com a morte, se manifestaram, primeiro em redes sociais e depois nas ruas, pedindo justiça com base na alegação de que Yuri não tinha envolvimento com o tráfico ou práticas ilícitas. A mãe do adolescente disse que soube do estado grave do filho apenas no início da tarde do domingo.


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Segundo o hospital, o jovem deu entrada no local no dia 21 de julho em quadro clínico instável e com múltiplos ferimentos causados por arma de fogo. Ele foi encaminhado ao bloco cirúrgico, onde passou por procedimento e, posteriormente, enviado ao Centro de Terapia Intensiva (CTI), porém faleceu no dia 22 de julho, às 16h50.

A mãe de Yuri conta que ao chegar no hospital o filho era vigiado por dois policiais, os quais foram embora assim que ela apresentou os documentos e atestou que o rapaz era menor de idade. Ela disse que no dia seguinte à morte do filho, dois policiais civis foram até sua casa em busca do foragido. Fizeram várias perguntas que ela não sabia responder e informaram que o suspeito era a testemunha chave para resolver o caso.

O que foi registrado

No boletim de ocorrência cedido pela mãe de Yuri à equipe de reportagem, os policiais que faziam a incursão no Bairro Jardim Leblon, no dia 21 de julho, por volta das 1h30, disseram avistar de longe dois suspeitos vendendo drogas em uma ponte do local conhecido no meio militar como Brejinho. A guarnição fez o cerco e quando tentou se aproximar, os indivíduos fugiram.

A patrulha se dividiu e um dos policiais “partiu no encalço” de um dos suspeitos, que correu, subiu uma escada, passou por cima da laje de uma casa e pulou em um lote vazio. O PM o perseguiu, parou em cima da laje e gritou: “parado, polícia”. Neste momento, segundo relato do policial, o indivíduo sacou a arma e realizou dois disparos contra o PM, que também atirou no suspeito.

Todavia, isso não foi suficiente para conter a fuga do indivíduo, que continuou cruzando o lote, pulou o muro e chegou à Rua Serra dos Aymorés. Na via, encontrou outros policiais que faziam o cerco. Segundo o relato, o suspeito apontou a arma e eles precisaram efetuar disparos.

O indivíduo então retornou ao lote baldio e encontrou o policial que estava em seu encalço, porém, havia descido da laje. Segundo o PM, o suspeito apontou novamente a arma para ele, que disparou antes até que cessasse o perigo. O indivíduo largou a arma ao cair no chão.

Os policiais entraram no terreno, recolheram a arma calibre 38 que estava em posse do alvejado (com cinco cartuchos, sendo dois deflagrados), perceberam sinais vitais no indivíduo e prontamente o levaram para o hospital. O suspeito não portava documentos de identidade, por isso, de acordo com o boletim, foi mantida escolta após passagem pelo CTI até que os(as) agentes do sistema prisional chegassem.

A perícia foi chamada e um soldado permaneceu no local para isolar o terreno. Não houve testemunhas além dos policiais, de acordo com o boletim, devido ao horário da ocorrência e o local não ter muitas casas ocupadas.
Após perícia, a Corregedoria da Polícia Militar (CPM) foi acionada. Nos termos do Art. 9º do CPM, citado na ocorrência, houve suspeita crime militar em serviço e os policiais e as armas de fogo usadas foram presos em flagrante pelo oficial e conduzidos à sede do Batalhão de Metropolitanas (Rotam).

O delegado Luiz Otávio Fonseca Matozinhos recebeu a infração por volta das 10h. Conforme a assessoria de imprensa da PCMG, existe aberto processo de investigação contra os policiais militares que estiveram na ação sob a suspeita de terem praticado crime militar em serviço.

Reflexos

No dia 25 de julho, no fim da tarde, moradores e amigos do jovem se reuniram na Avenida Central para fazer, pela terceira vez, protestos por justiça. Cerca de 30 pessoas se aglomeraram na via com cartazes e fecharam o trânsito. Em seguida, a PM apareceu com três táticos móveis, com cerca de 15 policiais, e ordenou que os populares liberassem a via.

Quando foi questionada sobre os estudos de Yuri, a mãe do jovem respondeu que ele estava há um ano fora da Escola Estadual Síria Marques da Silva e, enquanto aguardava vaga na Escola Municipal Cora Coralina, fazia oficinas no programa Fica Vivo.

Entre os amigos que manifestavam por justiça, Henrique da S. Paes disse ter crescido com Yuri, que o apelido do garoto era “frango” e não conhecia nenhuma história dele com drogas.

“O garoto era brincalhão e fazia parte da comunidade. Se fosse bandido, não teria ninguém aqui protestando”, disse Henrique.

No dia primeiro de agosto, o comando do Grupo Especializado de Policiamento em Áreas de Risco (Gepar) se reuniu com a comunidade no Centro de Referência de Assistência Social (Cras Jardim Leblon). Na ocasião, foi decidido que de dois em dois meses o Gepar voltaria para conversar com os populares, escutar os problemas e propor soluções.

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Jornalista graduado pelo Centro Universitário de Belo Horizonte — UniBH (2017), jornalista editor no Jornal Norte Livre com passagem pelo Jornal Daqui BH, ambos parceiros hiperlocais do Portal Uai/Diários Associados. Professor e sócio na empresa "Quando - Fábrica de narrativas", conteudista, SEO (Search Engine Optimization), videomaker, fotógrafo e entusiasta como ilustrador, desenvolvedor web e animador 2D. "Os livros são o templo do jornalista, mas é nas ruas que ele congrega". Will Araújo