Foto cedida por Hugo Gonçalves - Avenida Vilarinho próximo ao Habbibs - 17h20
Advertisement

Por William Araújo

Após forte chuva do domingo (17), veículos que passavam pelas avenidas Vilarinho e Doutor Álvaro Camargos, em Venda Nova, foram, novamente, ilhados pelas enxurradas e cheias dos córregos Vilarinho e Borges (12 de Outubro). Pessoas que estavam dentro dos ônibus precisaram subir no teto e um carro com três pessoas foi arrastado no Bairro São João Batista. De acordo com a sala de imprensa do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG), uma viatura se deslocou para o local.


Leia também


Ainda, segundo informações dos solicitantes da ajuda do CBMMG, um barracão no Beco São Sebastião, 195, Bairro Jardim Leblon, foi tomado pelas águas. Na residência, havia quatro pessoas, sendo duas crianças. Uma viatura foi enviada ao local, mas não houve atuação dos militares pois as águas baixaram. Não houve vítimas em nenhuma das solicitações.

Segundo a Subsecretaria de Proteção e Defesa Civil de Belo Horizonte (Supdec), somente no domingo, entre 11h e 17h40, choveu
51,6 milímetros em Venda Nova . As regionais Pampulha, Nordeste e Leste também apresentaram valores acima dos 50mm. Nove blocos que desfilariam na cidade cancelaram os compromissos.

De acordo com a Carta de Inundações de Belo Horizonte, na caracterização de Venda Nova, chuvas acima de 50mm causam alagamentos nas sub-bacias da regional. Entre agosto de 2017 e 2018, a PBH investiu, aproximadamente, R$5 milhões para evitar o transbordamento dos córregos.

Capítulos repetidos em 2019

Há vários anos, o vendanovense enfrenta o mesmo problema. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), por meio da Seção de Análise e Previsão do Tempo ( Sepre), do quinto distrito de meteorologia de Minas Gerais, presente em Belo Horizonte, identifica como chuvoso o período entre outubro e março. Os meses de novembro, dezembro e janeiro são considerados o trimestre com maior índices pluviais.

De acordo com o diagnóstico da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) apresentado em abril de 2018 como “Política de Gestão do Risco de Inundações em Belo Horizonte”, de 2011 até 2017, foram detectados 31 alertas de inundações nas sub-bacias Vilarinho e Nado. Desses, 21 tiveram extravasamento, que é quando os córregos transbordam e tomam as vias.

Nos últimos alagamentos ocorridos nos córregos Vilarinho e Borges (12 de Outubro), quatro pessoas faleceram, o que levou o prefeito Alexandre Kalil a fazer a promessa que o problema seria resolvido durante a sua gestão.

Em seguida, um projeto orçado em R$300 milhões foi apresentado pela Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap), porém movimentos populares, como o “Eu Vilarinho”, e o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas (CBH Rio das Velhas) refutaram a solução considerada por eles como “faraônica”. 

Segundo questionamentos feitos por Marcus Polignano, presidente do CBH Rio das Velhas, as obras não podem ser licitadas pois apenas empurrariam o atual problema de Venda Nova para os bairros seguintes, como Xodó Marize, Felicidade e Juliana, na Região Norte da capital. Além disso, o técnico alegou que a solução para Venda Nova deveria passar pelo consenso popular, como a própria PBH prometeu à época da tragédia de 2018.

Curta e compartilhe nas redes sociais
50Shares
Jornalista graduado pelo Centro Universitário de Belo Horizonte - UniBH, Bolsista PCCT na Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig)/Minas Faz Ciência, ilustrador, cartunista, videomaker, desenvolvedor web, jornalista editor no Jornal Norte Livre - parceiro hiperlocal do Portal Uai - com passagem pelo Jornal Daqui BH, conteudista, SEO (Search Engine Optimization), fotógrafo, animador 2D.