Candidatos se reuniram na manhã desta quarta-feira (9), em frente à sede do Conselho Tutelar, para cobrar novas eleições e uma resposta da prefeitura. Crédito: frame retirado de vídeo enviado pelos candidatos.
Candidatos se reuniram na manhã desta quarta-feira (9), em frente à sede do Conselho Tutelar, para cobrar novas eleições e uma resposta da prefeitura. Crédito: frame retirado de vídeo enviado pelos candidatos.
Advertisement

Ampla participação popular, mas cercada por denúncias de fraudes. A eleição que escolheu os novos conselheiros tutelares de Belo Horizonte continua repercutindo na capital mineira. Em Venda Nova e em outras regionais da cidade, quem não ficou entre os nomes mais votados critica a desorganização do pleito, assim como supostas irregularidades cometidas pelos concorrentes mais votados.

O processo tinha como objetivo eleger 45 novos conselheiros, cinco para cada uma das nove regionais de BH. O salário de R$ 3.775,13 e a propagação política, além da vontade de garantir os direitos das crianças e dos adolescentes, levaram 233 pessoas a se candidatarem ao cargo.

Neste ano, segundo a Prefeitura de BH, 46.619 votos foram registrados, quase o dobro do pleito anterior. Mas, quem participou reclama de diversas situações, que vão desde a falta de informação até suspeitas de corrupção.

Assim que a apuração terminou, listas com os mais votados circularam pela imprensa. Contudo, segundo a prefeitura, os nomes ainda não podem ser oficializados, justamente pela necessidade de apuração das denúncias.


Você é de Venda Nova?

Morador(a) de Venda Nova, fique por dentro de notícias exclusivas e específicas da regional. Clique no botão ao lado/abaixo e siga o Jornal Norte Livre nas redes sociais.


De acordo com a PBH, os nomes serão oficializados até 16 de outubro, por meio do Diário Oficial do Município. A lista que circula nas redes sociais foi confirmada pela prefeitura quanto aos candidatos mais votados, porém ainda não há confirmação das eleições efetivamente.

Depois da oficialização, os candidatos têm dois dias para apresentar recurso. Se houver necessidade, o conselho analisa os recursos 30 de outubro. No dia 31, a lista definitiva será divulgada.

Denúncias de fraudes

Entre as reclamações de fontes ouvidas pelo Jornal Norte Livre está a formação de chapas para a eleição. A combinação entre candidatos é proibida pelo edital do Conselho Tutelar.

Outra crítica se concentra no transporte dos eleitores. Fontes denunciam que candidatos deslocaram vans para buscar eleitores e levá-los até os locais de votação. Contudo, a prática também é vedada pelo edital e está entre as fraudes listadas pela prefeitura.

Compra de votos e boca de urna também estão entre as queixas. Eleitores relatam, inclusive, que outras pessoas tentaram convencê-los a mudar de voto instantes antes de contribuírem democraticamente.

“Estou arrependida de ir votar. Tinha gente praticamente comprando voto na fila e fazendo boca de urna. Um homem chegou e me disse para votar em ‘fulano de tal’. A prefeitura está fazendo tudo ‘tocado’. O erro começa é nisso. Estou muito indignada com a eleição deste ano”, reclamou outra eleitora que também preferiu manter o sigilo.

Desorganização

As críticas também se voltam à falta de organização dos locais de votação. Segundo relatado por leitores do Norte Livre, que são moradores de Venda Nova, houve orientações divergentes por parte das pessoas que deveriam coordenar a votação, portanto, dúvidas não faltaram.

“Muito mal organizado e acho que podemos aprimorar. As pessoas insistem em ficar num mundo arcaico. O sistema de votação deveria ser melhorado. Tínhamos que passar por três triagens, mas só duas pessoas coletavam a votação. A gente sabe que isso pode melhorar”, disse um morador do Bairro Jardim dos Comerciários, que não quis se identificar.


Leia também


Confusões com os endereços também foram comuns. Como a eleição é dividida entre as regionais, cada eleitor precisava atestar que morava no mesmo território do local onde desejava votar. Tudo por meio do comprovante de endereço.

Contudo, relatos de fontes garantem que alguns logradouros não eram identificados pelo sistema. Justamente por se tratar de bairros que estão entre um território administrativo e outro. Portanto, essas pessoas não conseguiam participar.

Outra eleitora se queixou das condições estruturais. “Quando chegou minha vez de votar, fiquei duas horas na fila. Uma amiga, que estava do meu lado e até bengala usa, também ficou esse tempo todo. A sala de votação não tinha ar-condicionado e o computador era tão ruim que não conseguíamos ter certeza se estávamos votando no candidato certo”, denuncia.

Manifestação

Na manhã desta quarta-feira (9), dezenas de candidatos ao Conselho Tutelar e eleitores se reuniram em frente à sede do órgão, na Rua Estrela do Sul, 156 – Bairro Santa Tereza (Região Leste de BH).

Em vídeo enviado ao Jornal Norte Livre, os conselheiros pontuaram suas críticas. “Estamos questionando o CMDCA (Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente) todas as irregularidades que nós vimos neste domingo. Compra de votos, levando eleitores dentro de ônibus e vans, boca de urna dentro do posto de votação, distribuição de cestas básicas, entre outras coisas”, disse uma liderança do movimento.

Caso o eleitor queira denunciar fraudes na votação do Conselho Tutelar, ele pode enviar um e-mail com sua reclamação para o endereço processoescolhact@pbh.gov.br. Outra possibilidade é registrar sua indignação na sede do Conselho Tutelar, na Rua Estrela do Sul, 156 – Bairro Santa Tereza (Região Leste de BH).

Outro lado

Em nota, a Secretaria Municipal de Assistência Social, Segurança Alimentar e Cidadania se posicionou sobre as denúncias de fraudes. De acordo com a pasta, o edital veda “vinculação a partido político, grupo religioso ou econômico” por parte dos candidatos. Contudo, esclareceu que tal julgamento pertence ao Conselho Eleitoral do CMDCA.

Quanto às orientações divergentes dada aos eleitores, o órgão da prefeitura esclareceu que “houve capacitação com todos os servidores que prestaram atendimento durante a votação sobre esses critérios”.

Disse, ainda, que a coordenação-geral orientou os eleitores durante todo o processo.

Sobre o transporte de eleitores, a secretaria confirmou que a prática é vedada pelo edital e informou que investiga a situação.

De acordo com a pasta, em caso de comprovação de irregularidades, sanções são aplicadas, de acordo com a previsão do edital. Por isso, determinada candidatura pode ser impugnada em última instância.

Curta e compartilhe nas redes sociais
297Shares