Unidos da Zona Norte tenta ganhar espaço na cena carnavalesca de Belo Horizonte. Foto: Acervo Belotur/Júlia Lanari e André Fossati.
Unidos da Zona Norte tenta ganhar espaço na cena carnavalesca de Belo Horizonte. Foto: Acervo Belotur/Júlia Lanari e André Fossati.
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“Estamos trazendo um tema-enredo que será ovacionado na Avenida Afonso Pena”. O depoimento de José João Gualberto Filho, o Janjão – presidente e intérprete do bloco caricato Unidos da Zona Norte (UZN) – se destaca pela confiança no trabalho para representar Venda Nova na histórica festa de rua. Tal esforço resultou na relação entre o negro e a Igreja Católica para emocionar o belo-horizontino durante o carnaval 2019. Os trabalhos se iniciaram em maior do ano passado e reúnem 200 voluntários.


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E há espaço para mais participantes. O UZN recebe qualquer cidadão que esteja interessado a ajudar no desfile, que acontece sempre às segundas-feiras de carnaval. Para participar, basta o cidadão entrar em contato com o presidente Janjão pelo telefone 99673-7708.

Situada no Bairro São João Batista desde 2015, a agremiação conta com incentivo financeiro da Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte (Belotur). Neste ano, a ideia de pautar a relação do movimento negro com a Igreja Católica nasceu de uma reportagem jornalística, lida em uma revista. Os organizadores estudavam a história do preto no Brasil e chegaram à ligação dos escravos com Nossa Senhora do Rosário durante o período colonial.

Em 2018, o tema foi as brincadeiras de criança. Foto: Acervo Belotur/Júlia Lanari e André Fossati.
Em 2018, o tema foi as brincadeiras de criança. Foto: Acervo Belotur/Júlia Lanari e André Fossati.

A relação criou aquela que ficou conhecida como a primeira organização abolicionista: a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens de Cor. Trata-se de uma confraria de culto católico, criada para abrigar a religiosidade do povo negro, que, na época da escravidão, era impedido de frequentar as mesmas igrejas dos portugueses.

Foto: Acervo Belotur/Júlia Lanari e André Fossati.
Foto: Acervo Belotur/Júlia Lanari e André Fossati.

“A história dos blocos caricatos está atrelada à história da construção da nossa cidade de Belo Horizonte. Naquela época, os trabalhadores saíam às ruas , batendo latas, com os rostos pintados e em cima de carroças trazendo como característica marcante a irreverência. Esta é uma manifestação cultural, carnavalesca, popular e histórica típica da nossa região”, explica Cláudia Magno, diretora de marketing do bloco vendanovense.

Antes de olhar para o negro, o Unidos da Zona Norte abordou as brincadeiras infantis em 2018; a culinária mineira em 2017; e a profissão de palhaço em 2016.

Ações sociais também compõem o projeto. Todos os natais, há uma arrecadação de alimentos não-perecíveis, que são entregues às instituições de caridade do São João Batista e região.

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