Biqueira cultural traz clássicos da literatura brasileira para os contemplados. Evento já passou pela Região Norte de BH. Foto: Antônio Benvindo/Norte Livre.
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Um dia de semana com cara de fim de semana. Em plena segunda-feira, Venda Nova recebe o projeto “Biqueira Cultural”. A partir das 18h, quem passar pela Praça da Matriz, na rua de mesmo nome, no Centro da regional, vai se deparar com uma biblioteca itinerante, muita música de qualidade e valorização da cultura do vetor norte de Belo Horizonte.

A programação inicia com a apresentação do projeto, seguida pela “Batalha do Conhecimento”. Nela, os MCs de Venda Nova duelam entre si, carregando o conhecimento de livros que vão de encontro à realidade vivida por eles. Leva-se em consideração títulos como Cidade de Deus (Paulo Lins, 1997) e Lélia Gonzalez – Retratos do Brasil Negro (Alex Ratts e Flávio Rios, 2010).

“A gente faz uma introdução para a plateia sobre os livros e levamos alguns exemplares para a biblioteca itinerante. A gente fala um pouco sobre o livro antes da batalha acontecer para quem estar presente poder interagir também”, explica a produtora cultural responsável pelo evento, Winy Franklin.


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Ainda nesta segunda-feira, por volta das 20h30, a rapper Tamara Franklin, nascida em Ribeirão das Neves, traz o seu trabalho a Venda Nova. Hasteando as bandeiras da mulher negra e do feminismo, a artista lançou, recentemente, o single “Wakanda”.

Ela também trabalha, em estúdio, o seu segundo álbum, denominado Fugio. Em agosto do ano passado, Tamara concedeu entrevista ao Norte Livre e deu detalhes sobre o trabalho que deverá ser lançado no início de 2020.

Agenda

O projeto “Biqueira Cultural” vai passar, ainda, por outros quatro pontos da Grande BH. Outros três bairros de Venda Nova serão contemplados com fusão entre uma biblioteca itinerante e a música negra: Minas Caixa, Santa Mônica e Mantiqueira.


14/06/2019

Parque ecológico de Ribeirão das Neves

17h – Apresentação do “Biqueira Cultural”. 18h – Exibição do filme “Somos Quem Somos e Nada

14/06/2019
18/06/2019

Minas Caixa

18h30 – Apresentação do projeto e discotecagem. 19h30 – Batalha do Conhecimento. 20h30 – Show da Bruxa

18/06/2019
22/06/2019

Santa Mônica

17h – Apresentação do projeto e discotecagem. 18h – Espetáculo de Teatro. 18h30 – Exibição de filmes e curtas

22/06/2019
07/11/2019

Mantiqueira

17h – Apresentação do projeto

07/11/2019

Além de levar entretenimento e conhecimento para o vetor norte, a programação quer resgatar uma tradição cultural inerente a Venda Nova, mas que se perdeu por falta de apoio nos últimos anos.

“A gente quer promover uma visibilidade das batalhas que acontecem em Venda Nova. Existiam em torno de 20 batalhas na região, promovidas pelo Coletivo Rap Lado Norte, mas elas começaram a desaparecer. Primeiro pela falta de incentivo e segundo pelos custos das estruturas”, conta Winy Franklin.

A ideia de aliar a biblioteca à música surgiu no Bairro Pedra Azul, em Ribeirão das Neves. Segundo Winy, o objetivo é levar a cultura para quem nem sempre tem acesso à literatura.

Recursos

Mudanças na Lei Rouanet, que passou a se chamar Lei de Incentivo à Cultura, foram anunciadas pelo ministro da Cidadania Osmar Terra. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil.
Mudanças na Lei Rouanet, que passou a se chamar Lei de Incentivo à Cultura, foram anunciadas pelo ministro da Cidadania Osmar Terra. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil.

A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), por meio da Secretaria Municipal de Cultura, publicou o Plano Bianual de Financiamento à Cultura, nesta segunda-feira (27), no Diário Oficial do Município.

O documento prevê o repasse de R$ 22,6 milhões para a área. O valor está acima do que foi transferido no ano passado, quando os empreendedores receberam cerca de R$ 20 milhões. Houve um acréscimo de aproximadamente 12%.

Para Winy Franklin, a prefeitura caminha no sentido contrário dos Executivos estadual e federal, que têm optado pelo corte nos investimentos. “A esperança é que futuramente a gente consiga aumentar isso, mas, dentro do cenário político que a gente vive hoje, o setor da cultura é o primeiro a se defasar. Ainda assim, a situação do município é melhor que a do governo federal, por exemplo”, analisa.

Desde que assumiu, o governo Jair Bolsonaro (PSL) tem reduzido os investimentos no setor. A gestão, por exemplo, extinguiu o Ministério da Cultura (MinC), que hoje se tornou a Secretaria Especial da Cultura, ligada à pasta de Cidadania.

As mudanças na Lei Rouanet (8.313/91) também são reflexos do posicionamento do atual governo. Em abril deste ano, o Ministério da Cidadania reduziu o teto dos valores financiados de R$ 60 milhões para R$ 1 milhão.

Também foi reduzido o volume máximo de recursos que uma mesma empresa poderá receber para viabilizar projetos: de R$ 60 milhões para R$ 10 milhões. 

A nova regra não inclui também projetos de patrimônio tombado (como restauração de construções), construção de teatros e cinemas em cidades pequenas e planos anuais de museus e orquestras.


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Com informações de Jonas Valente, repórter da Agência Brasil.

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