O guitarrista Ekson Wallace (à esquerda), o vocalista Johnny Kiff (ao centro) e o baixista Silas Lopes (à direita). Atualmente, a bateria é ocupada por Bruno Vasconcellos, que ainda não é um integrante oficial. Foto: divulgação/Banda Revolução.
O guitarrista Ekson Wallace (à esquerda), o vocalista Johnny Kiff (ao centro) e o baixista Silas Lopes (à direita). Atualmente, a bateria é ocupada por Bruno Vasconcellos, que ainda não é um integrante oficial. Foto: divulgação/Banda Revolução.
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Por Gabriel Ronan

Letras objetivas, produções frequentes e o alcance da internet: esses são os pilares da banda de rock Revolução, situada em Venda Nova, para conquistar espaço no público de Belo Horizonte. Criado em 2012, o conjunto formado pelo vocalista Johnny Kiff, pelo guitarrista Ekson Wallace e pelo baixista Silas Lopes convive com dificuldades financeiras para se manter e se inspira na regional para compor canções de amor.


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As barreiras quanto aos recursos financeiros (leia mais abaixo) ficaram claras no último lançamento do grupo, o álbum “A Banda Mais Pobre da Cidade”. Neste trabalho, o conjunto optou por aproximar do público ouvinte de outros gêneros musicais, como funk e sertanejo.

O mundo mudou. Quem melhor faz o trabalho de interação pelas redes sociais são os artistas sertanejos, que produzem muito, então a gente se inspirou nisso. A internet estimula essa troca afetiva entre a arte e o público” conta o líder e vocalista da banda, Johnny Kiff.

Além disso, no último álbum, a Revolução optou por letras pessoais e intimistas. Até hoje, a banda já produziu três discos, um DVD e um EP em pouco mais de cinco anos de trabalho. Com esse volume, o grupo já passou por diferentes gêneros, empregados de acordo com cada momento vivido pelo conjunto.

Divulgação/Banda Revolução.
Divulgação/Banda Revolução.

Dessa maneira, o grupo já gravou canções que passam desde o gospel até o sertanejo. Além da diversidade, a banda opta por referências a outros conjuntos de sucesso. Exemplo é o EP “O Mito da Alegria Tropical”, que faz alusão, em sua capa, ao histórico Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band (1967), gravado pelos Beatles.

A gente tenta ser criativo neste sentido. A quarta faixa do último álbum (‘A Banda Mais Pobre da Cidade’) temos uma faixa que se chama ‘Como eu conheci sua mãe’, insipirada no seriado ‘How I Met Your Mother’. Temos ainda referências a filmes como ‘De Volta Para o Futuro’ e ‘Matrix’, além de artistas e grupos, como Bob Dylan e Queen”, explica Johnny Kiff.

Venda Nova

Para se conectar ainda mais à regional Venda Nova, o grupo organiza anualmente o festival “Rock’N Nova”, realizado no Shopping Estação no ano passado. Neste ano, a banda pretende fazer um shows ainda maiores, por meio de parcerias.

A relação íntima com a região se dá, também, nos trabalhos desenvolvidos ao lado do Centro Cultural de Venda Nova (CCVN). O local sediou, por exemplo, a gravação do DVD da Revolução.

“Tentamos reconhecer Venda Nova em nossas letras. É algo que aprendemos no centro cultural. A gente tenta valorizar os moradores de Venda Nova, porque muitas pessoas não valorizam a população daqui. É um lugar que tem uma paz, como uma cidade do interior, mas que já está conectada a Belo Horizonte”, ressalta Kiff.

A crítica social faz parte do trabalho realizado pela banda. Dessa maneira, parte das letras lançadas até aqui evidenciam os problemas socioeconômicos da Regional, como o tráfico de drogas. Em “A Banda Mais Pobre da Cidade”, os artistas destacam o problema a partir da música “A maconha está mais barata que o pão”.

Barreiras

A exemplo de outros artistas espalhados pela capital mineira, a Revolução enfrenta obstáculos para se manter financeiramente. Até hoje, o único incentivo financeiro da banda veio pelo poder público para a gravação do DVD no Centro Cultural Venda Nova.

Contudo, o vocalista Johnny Kiff questiona os regulamentos adotados pelos financiamentos, que geralmente restringem os artistas quanto à compra de maquinário. Segundo ele, os equipamentos são, justamente, o que há de mais caro na indústria musical.

Johnny Kiff - Classe Média - Rock Nova 2017
Johnny Kiff – Classe Média – Rock Nova 2017

“Na prática, pela Lei de Incentivo, não podemos adquirir maquinário, o que seria a maior ajuda. Ela não vai no ‘x da questão’. Não sei se isso seria o certo, mas equipamentos de boa qualidade e um carro grande para carregar tudo isso faz toda a diferença”, pontua.

Por outro lado, na opinião do artista, a comodidade criada pela Lei de Incentivo limita um pouco os artistas. Para ele, isso acontece porque se chega a um ponto de comodidade da classe, que deixa de produzir por já ter o dinheiro em mãos.

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