Córrego Marimbondo: população convive com inundações e mau cheiro. Foto: William Araújo/Norte Livre.
Córrego Marimbondo: população convive com inundações e mau cheiro. Foto: William Araújo/Norte Livre.

Um alívio esperado por anos que finalmente parece sair do papel. Depois de sucessivos atrasos, com a chuva como justificativa, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), por meio da Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap), iniciou as obras no Córrego do Nado.


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As intervenções englobam as sub-bacias Marimbondo e Lareira. Ambas vão passar por obras de tratamento de fundo de vale e controle de cheias para evitar inundações em Venda Nova, principalmente nos bairros São João Batista e Santa Mônica.

Segundo a Sudecap, a primeira fase das operações compreende a mobilização da comunidade. Os recursos giram em torno de R$ 34 milhões, tudo proveniente do Programa de Aceleração do Crescimento, segunda etapa (PAC-2).

O prazo de execução previsto é de 540 dias. Ou seja, parte de Venda Nova terá que enfrentar os problemas das enchentes dos córregos Lareira e Marimbondo por, pelo menos, mais um período de chuvas. O compreendido entre outubro de 2019 e março de 2020.

O projeto

As principais intervenções são: construção de duas bacias de controle de detenção de cheias em concreto no trecho entre ruas Hye Ribeiro e Elce Ribeiro; demolições de edificação que foram desapropriadas (já concluídas) e construção ao longo dos trechos de obras para implantar a faixa de preservação dos cursos d’água.


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Também estão no cronograma da Engibras Engenharia, empresa vencedora da licitação, a construção de galerias e de canais em concreto armado; a implantação de rede de drenagem nas ruas Hyé Ribeiro, Augusto Franco, Expedicionário Américo Fernandes e Bernardino Oliveira Pena e a implantação de praças de lazer nas ruas Maria de Lourdes de Carreira, Expedicionário Américo Fernandes e Bernardino Oliveira Pena.

O projeto prevê, ainda, a construção de interceptores de redes de esgotos, instauração de rede de drenagem em tubo de concreto armado nas ruas Monte Alverne, Alberto de Oliveira, Rui Barbosa e Ministro Oliveira Salazar, inauguração de praça entre as ruas Rui Barbosa e José Maria Botelho, e implantação de interceptores de rede de esgotos e redes coletoras às margens do Córrego Marimbondo.

Os dois cursos d’água desaguam no Córrego Vilarinho, o mesmo que causa tantos problemas na avenida de mesmo nome todos os anos. Em 15 de novembro do ano passado, quatro pessoas morreram em uma inundação na principal avenida de Venda Nova.

Linha do tempo

Com cerca de dois quilômetros de extensão, o Córrego Marimbondo, no Bairro Santa Mônica, e o Córrego Lareira, no Bairro São João Batista, tiveram suas obras de saneamento autorizadas em 2011. Entretanto, de lá pra cá, diversos entraves impediram o começo dos trabalhos.

1Em 2014,

houve a desapropriação dos moradores próximos ao Marimbondo. Entretanto, em outubro daquele ano, o processo em pauta foi adiado pela Sudecap, que justificou à reportagem do Jornal O Tempo o atraso por motivo de “ajustes nas planilhas que compõem o projeto”.

2Em 2016,

a PBH desclassificou as sete empresas concorrentes da licitação. Insatisfeitas, essas companhias apelaram à Justiça, que concedeu uma liminar favorável às iniciativas privadas. Para não correr o risco de arrastar o processo por anos no Judiciário, a PBH resolveu, em agosto daquele ano, cancelar a concorrência pública.

3Em março 2018,

devido aos vários impedimentos, o que devia resguardar a população de enchentes se tornou em mais dor de cabeça. As casas desapropriadas, conforme noticiado pelo Jornal Norte Livre, abrigaram animais peçonhentos e serviram de ponto para tráfico de drogas.

4Em abril e maio do mesmo ano,

a Sudecap iniciou a demolição das casas. Houve também a limpeza do Córrego Marimbondo, por parte da Superintendência de Limpeza Urbana (SLU). Neste mesmo período, moradores das imediações do Lareira denunciam, ao Norte Livre, invasões de casas já desapropriadas e o aumento da criminalidade no São João Batista.

5Em julho de 2018,

a prefeitura abriu licitação para as obras nos mananciais Marimbondo e Lareira. O valor máximo para a execução das intervenções era de R$ 44 milhões, com entrega da documentação das partes interessadas até 16 de agosto.

6Em agosto,

mais uma decepção para os moradores. A “constatação de erros na planilha orçamentária” fez a PBH remarcar a data de abertura do certame para o dia 11 de setembro do mesmo ano.

7Em outubro,

a Engibras Engenharia foi escolhida para executar as obras. A empresa venceu a concorrência com uma proposta de R$ 34 milhões.

8Novo atraso

A primeira previsão dava conta que os trabalhos começariam em dezembro. Contudo, houve um adiantamento para fevereiro por causa das chuvas.

9Espera prolongada

Quando o segundo mês de 2019 chegou, mais um atraso. A prefeitura remarcou o pontapé inicial das intervenções para o fim do período de pluviosidade.

10Em maio,

enfim, a prefeitura iniciou as obras nos mananciais. Segundo a Sudecap, a primeira fase das operações compreende a mobilização da comunidade.

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