Festival Multicultural - Fonte - Acervo pessoal Gasperim Ramalho
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Por William Araújo

Abordar a diversidade cultural no ambiente escolar, após a ascensão dos discursos conservadores dos últimos anos, tem se mostrado mais uma escolha e menos uma obrigação curricular. Portanto, para inserir o tema de forma transparente, sem efeitos colaterais políticos, e despertar a tolerância e respeito às diferenças, a Escola Estadual Maria Muzzi Guastaferro, situada em Venda Nova (Rua Irineu Pinto, 255), celebra, anualmente, desde 2014, o “Projeto Interdisciplinar Festival Multicultural”.


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Idealizado pelos professores Gasperim Ramalho (Língua Estrangeira) e Henrique Moreira (Geografia), a interdisciplinaridade do Festival envolve mais de 10 docentes, disciplinas e os alunos do Ensino Médio do turno matutino, com viés de aprendizado sobre o cenário geo socioeconomico.

Tradicionalmente, o Festival ocorre entre setembro e outubro, mas por motivos alheios às rotinas escolares, como as greves, a culminância do projeto foi alterada para o final de 2018. Neste período, o Jornal Norte Livre foi convidado a participar do evento que ocorreu nos dias 20 e 21 de dezembro.

A primeira impressão passada pela Escola foi a de disciplina amparada por dedicação. Entre alunos, professores e membros da comunidade, mais de 850 pessoas, segundo cálculo dos organizadores, ocuparam o ginásio principal. O tema do ano foi “Liberdade e Respeito”.

Jurados a mesa, equipe técnica posicionada, mestres de cerimônia prontos (Gasperim e Henrique), era hora de começar (9h30).

Fonte: Grupo Festival Multicultural no Facebook

O projeto solicitou às turmas participantes que desenvolvessem apresentações artísticas com narrativas sobre a temática anual e que tivessem, como base, aspectos multiculturais. Foram produzidas peças teatrais, recitais, espetáculos de dança e roteiros, que misturaram ritmos a historicidade.

Assuntos como aporofobia (aversão aos pobres), xenofobia, homofobia, racismo, negritude, etnocentrismo e outros apareceram nos dois dias de apresentações. “Saltava aos olhos” a quantidade de teatros musicais bem entrosados, com maioria de garotas, em afirmação ao feminismo e contra a misoginia (preconceito contra mulheres).

Gasperim, Henrique, professores e o grupo "Os Cabras da Peste" / Fonte: acervo pessoal Gasperim
Gasperim, Henrique, professores e o grupo “Os Cabras da Peste” / Fonte: acervo pessoal Gasperim

Locais e povos brasileiros, como nordestinos, negros e indígenas, apareceram nos grupos por meio da literatura de cordel e peças sobre a escravidão.

Cada turma que subia ao palco era recebida com gritos e aplausos calorosos dos demais discentes. Alguns alunos, que já somavam fãs na Escola, se destacaram em performances e faziam a união dos roteiros.

Todos tiveram quatro minutos cronometrados para mostrar a que vieram. Os grupos foram avaliados pela pertinência com os objetivos do projeto e com o tema específico do ano.

Fonte: Grupo Festival Multicultural no Facebook

Pontuações mais altas

Para incentivar o engajamento, além da liberdade de escolha dos alunos pelos formatos, a Escola contempla com medalhas e uma cerimônia os grupos que ficaram nos três primeiros lugares. No ano de 2018, foram campeãs as turmas 301 matutino, 306 matutino e 107 matutino.

A 301 apresentou o “Grupo Religare”, em que repressão e violência foi mostrada por meio do teatro musical e dançarinos solos. Os alunos também encenaram a morte da vereadora Marielle Franco, assassinada em março de 2018.

“Os Cabras da Peste”, da turma 306, representaram as riquezas do sertão nordestino. Enquanto a 107, com a “Tribo Uhuru” (significa liberdade no dialeto banto, da língua suaíli), produziu, especialmente para o Festival Multicultural, uma música, que narrava sobre o preconceito e racismo, desigualdades sociais.

Veja abaixo o vídeo da preparação da “Tribo Uhuru”.

“A primeira impressão dos alunos novos na Escola é de surpresa. Eles dizem que nunca imaginariam que um Festival Multicultural seria assim, pois não estão acostumados a participar de eventos deste tamanho, repercussão e organização.

Alunos que já se formaram dizem que o Festival foi um marco em suas vidas, pois aprenderam a lidar melhor com as diferenças, a trabalhar em equipe e com as várias personalidades dos membros”, relata o professor Henrique.

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Jornalista graduado pelo Centro Universitário de Belo Horizonte - UniBH, Bolsista PCCT na Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig)/Minas Faz Ciência, ilustrador, cartunista, videomaker, desenvolvedor web, jornalista editor no Jornal Norte Livre - parceiro hiperlocal do Portal Uai - com passagem pelo Jornal Daqui BH, conteudista, SEO (Search Engine Optimization), fotógrafo, animador 2D.