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Por Fatine Oliveira

Imagine a situação: semana puxada de trabalho, reuniões longas, tarefas difíceis e patrão exigente. Bem provável que o seu primeiro pensamento na manhã de sexta-feira seja “finalmente poderei descansar”. Como muitos costumam dizer “sexta é dia da maldade”. É como se pudesse sentir a cervejinha descendo gelada na garganta, aquele petisco delicioso e o afrouxar da gravata para coroar o tão merecido relaxamento que precisava.

Acredito que você não encontre muitas dificuldades para marcar uma saída com os amigos, a não ser para conciliar as agendas, porém. Há sempre alguém disponível para uma escapada de última hora, não é mesmo? A escolha do lugar é o menos importante. Uma boa bebida, bom preço e uma música bacana já garantem a diversão da noite.

Entretanto, nem todos conseguem tal facilidade para sair com amigos, e nem é por falta de tempo, mas por falta de lugar.

A falta de acessibilidade nos espaços de lazer inviabiliza momentos de diversão para pessoas com deficiência e mobilidade reduzida. Uma happy hour, na maioria das vezes, se torna um mega evento a ser planejado com semanas de antecedência. Pode parecer exagero, mas é muito complicado sair de última hora quando você depende de uma estrutura capaz de permitir seu livre movimentar. Quer um exemplo?

Como sou cadeirante, vai ser comum relatar casos que envolvam cadeiras de rodas, contudo farei o esforço para trazer outras realidades nesta coluna. Por isso, mostrarei como funciona o planejamento de um passeio para nós .

1º Passo: O convite

Sim, começarei com algo óbvio, pois quero ressaltar a importância de sermos inseridos nas atividades cotidianas. Ser convidada (o) para sair nem sempre é corriqueiro por vários motivos. Algumas pessoas consideram difícil demais montar e desmontar a cadeira, outras ficam em dúvida se podemos nos divertir da mesma forma que aqueles sem deficiência, há também famílias que impedem seus filhos saírem de casa com amigos e por aí vai. O principal ponto é: somos pessoas como qualquer outra e gostamos de nos divertir.

2º Passo: O lugar

Quando recebemos o convite para sair, iniciamos uma pequena jornada para escolher em qual lugar podemos ir. Algumas pessoas deixam essa etapa para nós, com deficiência, por acreditarem que possuímos algum lugar especial ou preferido. Contudo é importante lembrar que uma ajudinha nunca é demais. Basta ligar e perguntar se aquele espaço oferece condições de receber alguém com deficiência. Especifique qual é o caso da sua companhia e prontinho.

3º Passo: O transporte

Nem toda pessoa com deficiência tem transporte próprio e algumas precisam se organizar com antecedência por dependerem de alguém para levá-las aos lugares. Familiares, serviços oferecidos por prefeituras ou motoristas de táxis conhecidos sempre pedem para serem avisados com tempo de verificarem suas agendas. Nesses casos, é preciso estabelecer o horário de ida e volta para evitar problemas. Talvez este seja o maior impeditivo das pessoas com deficiência (no caso cadeirantes): conseguirem sair de última hora. Se você, sem deficiência, puder oferecer uma carona amiga, já ajuda bastante.

Expondo tudo isso você pode pensar “nossa, que tanto de coisa”, mas digo que esse processo é bem comum e com o tempo acabamos incorporando em nosso dia a dia. Meus amigos já entendem minha realidade, portanto programam comigo com a antecedência necessária para me organizar.

Além disso, muitos blogueiros com deficiência, a fim de simplificarem nossas vidas, realizam postagens demonstrando lugares que são adequados às nossas condições. Na minha página no Facebook tenho uma postagem fixa com uma lista de bares e restaurantes em BH que podemos ir.

A verdade é que não deveríamos precisar desse procedimento todo se todos os lugares oferecessem condições de nos receber. É frustrante não poder desfrutar de um restaurante/bar/pub do mesmo modo que as outras pessoas porque ele não possui um banheiro adaptado ou uma rampa na entrada. Estes detalhes não deveriam ser exclusividade, afinal também somos um público que consome e possui grupos de amigos que nos acompanham.

A gente não quer só comida. A gente quer comida, diversão, arte e acessibilidade.

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